Cão militar: um combatente fiel, inteligente e versátil

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Resumo

O  Cão de Guerra,  desde que foi empregado pela primeira vez como arma de  guerra nas  1ª e 2ª Guerras Mundiais, tem se mostrado  um poderoso aliado militar, tático e estratégico, para combater os diferentes tipos de inimigos, nos mais diversos campos de batalha. Usando de seus recursos sensoriais notáveis  como a visão, audição e olfato, somado à sua fidelidade, rapidez, coragem e inteligência, entre outras habilidades animal, devidamente treinado e capacitado, é um elemento imprescindível para as grandes e pequenas operações militares no campo e na cidade. Atualmente, face  à sua versatilidade de emprego, tem se destacado nas Forças Armadas mundiais, Policias Federais e Estaduais, Defesa Civil etc. na guerra convencional e irregular, na segurança de pontos estratégicos, no salvamento de vidas e principalmente no combate ao narcotráfico. No Brasil, cada vez mais é utilizado  na segurança das instalações militares, no combate ao crime organizado, no controle de distúrbios e na Segurança Pública, garantia da Lei e da Ordem, operações GLO.

Abstract

The War Dog, since it was first used as a weapon of war in the 1st and 2nd World Wars, has proved to be a powerful military, tactical and strategic ally to combat the different types of enemies on the most diverse battlefields. In addition to his remarkable sensory resources such as sight, hearing and smell, plus his fidelity, speed, courage and intelligence, among other properly trained and skilled animal skills, he is an indispensable element for large and small military operations in the field and in the City. Nowadays, due to its versatility of employment, it has stood out in the world Armed Forces, Federal and State Policemen, Civil Defense, etc. in conventional and irregular warfare, in the security of strategic points, in the rescue of lives and especially in the fight against drug trafficking. In Brazil, more and more it is used in the security of military installations, in the fight against organized crime, in the control of disturbances and in Public Security, guarantee of Law and Order, GLO operations.

Keywords –  war dogs,  historic, employment, world  armed forces.


Histórico

 Os cães militares ou de guerra desempenharam, como combatentes, expressivos e relevantes trabalhos durante a primeira e segunda guerras mundiais, no cumprimento de variadas missões. Destacam-se nesse artigo, as principais nações e exércitos que pela primeira vez empregaram o cão de guerra com objetivo militar nos campos  de batalha,  nessa que foi a maior conflagração beligerante mundial de todos os tempos.

ALEMANHA E BÉLGICA. Foram as nações européias do mundo que primeiramente utilizaram o cão, pastor alemão, como combatente em seus Exércitos. A  Alemanha  possuiu  durante a 1ª e 2ª Guerra um efetivo de mais de 200 000 cães; enquanto a Bélgica, um total aproximadamente de 12 000 animais. Utilizados principalmente como sentinelas, guardas e rastreamento do inimigo, o cão pastor, a raça preferida  na ocasião, auxiliava as patrulhas na sua proteção, acampamentos e no descobrimento do inimigo nas tocas e cavernas das montanhas e nas matas dos campos de batalha da Ásia e Europa.

UNIÃO SOVIÉTICA-URSS. O emprego do cão militar, como arma de guerra, deu-se a partir do inicio do  Séc. XX ( 1924), quando o Conselho Militar Revolucionário da União Soviética aprovou sua utilização para resgate, detecção de minas, explosão de carros de combate, transporte de alimentos e remédios, entre outros fins bélicos. O sucesso da nova estratégia militar foi tanto que o Exército Russo criou uma Escola de Adestramento em Oblast Moscou, com doze Centros Regionais, sendo três desses Centros destinados ao treinamento especifico de cães antitanque, em russo (Противотанковые собаки).Em 1940, o Exército possuia cerca de 40 000 cães empregados em diversas tarefas militares, utilizando o  método de alteração de comportamento animal do russo Ivan Pavlov (1849-1936), fundador da psicologia behavorista comportamental animal através de estímulos. Os cães anti-tanques soviéticos ficaram conhecidos na Batalha de Kurks (1945), quando doze tanques alemães “Panzerkampfwagen”foram destruídos por dezesseis cães  soviéticos armadilhados com bombas.

ESTADOS UNIDOS-EEUU. Acompanhando a evolução da doutrina militar  do emprego do cão como combatente, da época,  os Estados Unidos criaram em 1942, a Unidade K-9 Corps (Regimento Canino) que se destinava  a treinamentos do cão de guerra e atuação no frontmilitar da 2ª Guerra Mundial.

A principal missão desempenhada pelos “Devil-Dog” americano foi com o Corpo de Fuzileiros Navais no teatro de guerra do Pacífico contra os Japoneses, após a invasão nipônica  da base americana de Pearl Arbor.   Durante o período de 1943-1945, mais de 10 000 cães foram treinados no Quartermaster Corps, Fort Lee, Virgínia,  para serem utilizados pelo Exército e pelo Corpo de Fuzileiros Navais Americano. Mais de 1800 foram empregados contra os japoneses que se localizavam nas matas, cavernas e casamatas das ilhas do Pacífico, principalmente na ilha Nova Bretanha. Empregados como sentinelas, patrulheiros, mensageiros  e rastreadores, os cães utilizando-se de sua visão, audição e olfação aguçados, localizavam os inimigos nas matas e cavernas facilitando a captura ou morte pelas patrulhas de marines.Na Segunda Guerra Mundial, o War Dog Training Program foi novo, não testado e inovador. As idéias e os conhecimentos obtidos em treinamento em larga escala e intensa experiência de combate permitiriam que o Corpo K-9 florescesse nas Américas do pós-guerra. O sucesso dos cães em papéis militares, policiais e humanitários  foi devido aos cães da Segunda Guerra Mundial que embarcaram em uma viagem a um território desconhecido e se tornaram guerreiros e heróis. O cão herói americano da 1ª GM foi o cão Stubby, promovido a sargento, da 26ª e 102ª Divisões de Infantaria.

Foto: Sergeant Stubby (Wikipedia)

Cães de Guerra na atualidade

EEUU. Presente em quase todos os Exércitos do mundo, desempenhando as mais variadas funções de Guarda, Sentinela e Combate, o cão de guerra tem evoluído bastante não só nas variedades de raças, mas, sobretudo na seleção genética, programas de treinamento e especialização. Nesse contexto, o pais que mais evoluiu no pós-guerra, foi sem dúvida, os EEUU.

Nos United States (U.S.), face ao emprego de seu Exército (U.S. ARMY), Marinha  (U.S. NAVY) e Força Aérea (U.S. ARMY FORCE), em quase todas as partes do mundo, principalmente nas Guerras de Guerrilhas e Ações Encobertas, nos mais variados campos de batalha, variedade de solos e climas, o cão de guerra tem se aperfeiçoado e mostrado sua versatilidade de emprego, seja nas cidades americanas, junto com as Polícias – Police Dog, no tempo de paz, seja na guerra, em outros continentes, Força de Paz ou Coalizão com países aliados.

Principais Guerras onde foram empregados o Cão de Guerra pelas FFAA Americanas.

Guerra do Vietnam– Continente Asiático. Período de 1959 a 1975.
Emprego: Army, Navy e Force Army
Função: Sentinela, Guarda, Resgate, Salvamento, Patrulhas, Primeiros Socorros.
Efetivo: 4 000 cães
Raça: Pastor Alemão, Labrador , Doberman e Retriever
Herói da Guerra: o Cão Nemo – Pastor alemão

Guerra do Iraque –  Oriente Médio. Período de  2003 a 2013.
Emprego: Army, Navy e Force Army
Função: Guarda, Sentinela, Detecção de Armas e Explosivos, Minas, Patrulhas, Resgates, Rastreamento e Reconhecimento de Áreas.
Efetivo: 1800 dogs war
Raça: Pastor Alemão, Pastor Belga, Labrador, Doberman e Retriever.

Guerra do Afeganistão– Continente Asiático. Período 1979 a 1989.
Emprego: Army e Force Army.
Função: Sentinela, Guarda, Rastreador, Reconhecimento e Patrulhas de Combate
Efetivo: 1 600 dogs war.
Pastor Alemão, Pastor Belga, Labrador, Retriever, Doberman.
Herói da Guerra: Cão Theo, do Exército Britânico.

Cães de guerra no Brasil

A utilização e o emprego do Cão de Guerra, nas FFAA  brasileiras, principalmente no Exército, estão oficializados através das Portarias  Nº 318-GB, de 12 de outubro de 1967, que aprovou o Manual de Campanha C 42-30 (Adestramento e Emprego de Cães de Guerra)  e  Nº 932, de 24 de junho de 1970, que autorizou  seu emprego nas Organizações Militares de Polícia do Exército-PE, no Curso de Operações na Selva e Ações de Comandos-COSAC e na Brigada de Infantaria Paraquedista- Bda Inf Pqd.

Com pouco mais de 48 anos de existência de sua criação e nenhuma experiência de emprego real em uma guerra convencional ou irregular fora do país, o Cão Militar, com efetivo operacional de uma Seção (8 a 12) cães, foi estabelecido primeiramente nos Batalhões de Infantaria/Companhias de PE, e nos Depósitos de Suprimentos de Munições para servir como cães de guarda, sentinela, controle de distúrbios e manutenção da ordem pública. Na Selva, na guerra de guerrilha, para os trabalhos de perseguição, emboscada, rastreamento, resgate, captura do inimigo e patrulhas. Na Brigada Paraquedista, como cão paraquedista, em ações de comando  e especiais; ser lançado em regiões de difíceis acessos, para captura, resgate, reconhecimento, interdição  e ocupação e defesa de pontos ou alvos estratégicos.

O Exército Brasileiro não tem ainda um Canil Central de Criação e Seleção Genética do Cão de Guerra onde possa fazer a criação, cruzamentos e seleção da melhor raça de acordo com sua aptidão e emprego exigido, como os EEUU, Alemanha, Rússia, Bélgica e França. Atualmente, tem um Centro de Reprodução e Distribuição de Cães – CRDC, instalado no 2º Batalhão de Policia do Exército, Osasco-SP.

São características desejadas, observadas e exigiadas em um Cão de Guerra:

  •  agilidade;
  • docilidade;
  • inteligência;
  • coragem;
  • tenacidade;
  • força;
  • lealdade;
  • robustez;
  • obediência;
  • resistência.

 Atualmente, o Exército possui um efetivo de 400 Cães Militares espalhados em Quartéis e Unidades Militares no Brasil, onde sãoempregados em operações de Garantia da Lei e da Or­dem, em tarefas de controle de distúrbios, na busca de drogas, munições e explosivos e na segurança de instalações militares.

OPERAÇÃO ARCANJOO EMPREGO DO CÃO DE GUERRA DO 1ºBG. ( Rio de Janeiro, 2011)

Objetivo: Pacificar as Comunidades dos Complexos da Alemão e Penha.

Operação integrada de Polícias Militar, Civil e Força Nacional sob o Comando do Exército que empregou  tropa de elite e o Cão de Guerra para cumprir variadas missões pacificadoras nas Comunidades dos Complexos do Alemão e Penha, dominados pelos narcotraficantes e  crime organizado, para garantir a Lei  e a Ordem Pública.

Os Cães de Guerra atuaram nas seguintes Operações Especializadas.

–  Busca e Apreensão: Cães farejadores foram empregados para busca e localização de drogas: cocaína, maconha, crack e explosivos, munições e armamento;

Ataque:Persuasão, perseguição e intimidação do traficante e apoio à tropa nos pontos de bloqueio e inspeção de suspeitos e veículos;

Varreduras dos becos, vielas e edificações. Aumento da capacidade operacional da tropa em locais de risco, no vasculhamento, procura e captura;

Varreduras em áreas com cobertura vegetal. A serra da Misericórdia foi área de atuação do Cão de Guerra, no patrulhamento e descoberta de armamento, munições e drogas;

– Posto de Bloqueios e Controle das Vias Urbanas. Foram empregados para vistoria e inspeção de transeunte e veículos, auxiliando a tropa e o poder de polícia e investigação.

ESTRATÉGIA OPERACIONAL DO EMPREGO DO CÃO DE GUERRA.

O emprego do Cão de Guerra pelo Exército na operação pacificadora  Arcanjo, numa área densamente urbanizada, povoada  e de difícil acesso e vasculhamento, dominada pelo narcotráfico, com centenas formas de esconderijos e rotas de fugas, mostrou que a presença da tropa armada acompanhada do Cão de Guerra, potencializou  em muito  seu  poder de segurança, persuasão, operacionalidade e intimidação. Que a presença do cão militar, utilizando de suas várias aptidões militares, treinadas e capacitadas, torna-o um elemento imprescindível no combate ao crime organizado e na localização de drogas, armamento, munição e explosivos, além da captura do bandido ou meliante, principalmente a noite e em áreas  encobertas.

Raças utilizadas e treinadas pelo Exército.

As raças  mais utilizadas pelo Exército Brasileiro, de acordo com o emprego estratégico e aptidão do cão, são:

– Pastor Alemão, Pastor Belga Malinois, Fila Brasileiro, Labrador, Rottweiller.

Edino Camoleze – med vet mil. Zoogeografia da América do Sul e MSc Tec. Alimentos.                                               email: edino0644@gmail.com.

2018-04-12T12:21:06+00:00