Nutrição Animal e a produção de grãos no Brasil

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No ranking onde é analisada a arrecadação do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo FMI, o Brasil está entre as maiores economias do mundo, principalmente quando nos remetemos à produção agropecuária que é responsável por grande parte do PIB brasileiro. O país também se encontra entre os maiores exportadores agrícolas mundiais e está entre os 5 primeiros países na produção de leite, carne de porco, frango e carne bovina. Razões das atenções voltadas para a produção agropecuária nacional, que assume o papel de carro-chefe na expansão da economia, isso também graças às colheitas excepcionais das principais culturas exportadas: a soja e o milho.

No levantamento realizado pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção de grãos no Brasil bateu recorde e alcançou 238 milhões de toneladas na safra 2016/2017. O crescimento alcançado em relação à última safra foi de 27,8%, ou quase 52 milhões de toneladas frente à safra anterior.

Unidade de armazenamento de grãos

A importância econômica da cultura dos grãos, em especial da soja e do milho,é caracterizada pelas diversas formas de sua utilização o, que abrange desde a alimentação animal até a indústria de alta tecnologia.

Área com plantio de soja

De acordo com dados divulgados pela Agência Embrapa de Informação Tecnológica (AGEITEC), o uso do milho em grão como alimentação animal representa a maior parte do consumo desse cereal, isto é, cerca de 70% no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 50% são destinados a esse fim, enquanto que no Brasil varia de 60% a 80%, dependendo da fonte da estimativa e do ano. Esse cenário ressalta a dependência da criação animal em relação ao setor agrícola.

A oscilação da safra agrícola e, consequentemente o seu valor negociado, tem influência direta no sistema de criação animal, onde grande parte dessa produção tem sua base nutricional voltada para os grãos, principalmente soja e milho. Esse fato  é percebido no acréscimo e decréscimo dos preços, como o identificado na safra recorde de grãos no Brasil, onde o custo da alimentação dos bovinos confinados obteve uma queda de mais de 6% (ICBC – Índice de Custo de Bovinos Confinados).

Contudo, ainda assim, o valor gasto com a alimentação em alguns sistemas de criação animal chega a representar quase 75% dos custos da produção de acordo com dados de campo levantados pela Agrosuisse em 2016.

Associando o consumo animal ao consumo humano, além de se verificar também o crescimento do uso de milho em aplicações industriais, pode-se observar o aumento de sua importância no contexto da produção de cereais na esfera mundial. Nesse sentido, o milho passou a ser o cereal mais produzido no mundo e, em números, tem acompanhado basicamente o crescimento da produção de suínos, aves e também os bovinos e os pequenos animais no Brasil.

 

Demanda de milho no Brasil

Diante da dependência nutricional dos grãos na dieta dos animais, que afeta em maior escala o pequeno produtor com menores margens de negociação para comercialização,é necessário um continuo estudo para a busca de fontes alternativas dos principais grãos,ainda mais onde seus centros de consumo estão distantes da área de produção, o que influenciará no  custo adicional do frete, inviabilizando mais o sistema.

Dessa forma, produtores estão em busca constante por ingredientes alternativos para formular rações ainda mais eficientes, mas que sejam economicamente viáveis. Os alimentos alternativos são uma necessidade fundamental para a realidade dos sistemas produtivos no Brasil, pois, assim, o custo da ração tende a diminuir e a rentabilidade dos sistemas aumentar. Mas não se pode só pensar apenas em baixar  os custos, deve-se também considerar  atender o bem-estar animal e a manutenção dos índices de produção.

Gado com ração no cocho

Os subprodutos da agroindústria são uma das opções sustentáveis para a produção, como os casos do bagaço e melaço de cana, polpa de cítricos e os resíduos de milho e soja.

Outros grãos também têm sido cada vez mais estudados e usados para a substituição como o sorgo, trigo, triticale, farelo de arroz, semente de girassol e outras leguminosas como o feijão guandu.

Algumas plantas também já estão em uso e com resultados interessantes, como é o caso da mandioca, planta que é usada para atender o teor proteico através das suas folhas e tronco em forma de farinha, além do uso da própria raiz que é misturada na ração convencional em substituição de até 30% da quantidade da mesma. Experiências realizadas em granjas pela Agrosuisse entre os anos de 2010 e 2017,admitem que essa condição permite a sistemas de criação de aves um ganho na margem de lucratividade sem provocar quedas na produtividade.

A partir da introdução desses novos componentes em substituição aos grãos, insere-se também novas estruturas à cadeia de valor da produção animal, com um direcionamento voltando não apenas para o lado financeiro, mas também visando o bem-estar animal com qualidade em sua alimentação através da diversificação. O produto final que será apresentado poderá possuir diferenciação no mercado com certificações especiais, agregando componentes da sustentabilidade e que valorizam a condição da qualidade nutricional para seus consumidores.

2018-01-25T14:04:38+00:00