O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é também conhecido popularmente por outros nomes como tamanduá-açú e papaformigas. É considerada a maior dentre as três espécies de tamanduás encontradas no Brasil, como o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) e o tamanduaí (Cyclopes didactylus). Assim como o tamanduá-mirim, pertence à Ordem Pilosa e Família Myrmecophagidae.

O tamanduá-bandeira possui características físicas típicas da espécie, como a coloração da pelagem, composta por uma faixa diagonal preta de bordas brancas, e a cauda comprida com longos e compridos pelos, que nos faz lembrar uma bandeira, explicando assim a origem do seu nome popular. Tem ainda musculosos membros anteriores terminando em garras e um longo e cilíndrico focinho. O comprimento total médio da espécie é de 1,20 m no macho e de 1,00 m a 1,02 m nas fêmeas, sem levar em conta a cauda que pode chegar até 90 cm. Nos campos cerrados sua cauda favorece a camu agem e quando o tamanduá-bandeira descansa, costuma dobrá-la sobre seu próprio corpo, lhe servindo de proteção, inclusive térmica. Seu peso corporal pode ultrapassar de 40 Kg nos machos e estes possuem a cabeça mais robusta e larga.

Distribuição geográfica

Sua distribuição geográ ca é ampla, da América Central ao norte da Argentina, sendo encontrado, portanto, no Brasil e em outros países da América do Sul, como Colômbia, Equador, Venezuela, Panamá, Guianas, Bolívia, Paraguai e Argentina. Na América Central é descrita em países como Honduras e El Salvador.

No Brasil, o tamanduá-bandeira ocupa todos os biomas, distribuindo-se pelos Estados da Região Norte e Centro-Oeste e ainda em alguns da Região Nordeste, como Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia, da Região Sudeste, como Minas Gerais e São Paulo e da Região Sul, como o Paraná.

O Cerrado é certamente o bioma que abriga a maior parte das populações desta espécie. Tanto as populações encontradas neste bioma, quanto àquelas encontradas na Mata Atlântica, vêm sofrendo continuamente os efeitos da fragmentação. Embora a espécie possa viver em uma ampla variedade de hábitats, desde campos limpos e cultivados até orestas, o desmatamento pode levar à redução das populações de tamanduás-bandeira, devido, principalmente, à redução dos habitats disponíveis em decorrência do avanço da agricultura e obras de infraestrutura.

Áreas protegidas

Dentre seus maiores redutos, destacam-se o Parque Nacional da Serra da Canastra (MG) e o Parque Nacional das Emas (GO). Há registros da ocorrência deste animal em outras áreas brasileiras protegidas, como a Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana, localizada nos municípios de Castro, Piraí do Sul, Jaguariaíva e Sangés, e no Parque Estadual do Cerrado, em Jaguariaíva. Ocorre também na RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) em Monte Alegre. O Parque Nacional da Ilha Grande conta com indivíduos da espécie na região noroeste do Estado.

Habitam os campos, principalmente do Cerrado, e áreas extensas, podendo adentrar também em áreas orestais de baixa densidade. São considerados exímios nadadores, sendo capazes de atravessar rios de razoáveis dimensões. De acordo com dados de pesquisadores, o tamanduá-bandeira é considerado o mamífero mais ameaçado da América Central, encontrando-se já extinto em Belize, Guatemala e provavelmente na Costa Rica. Na América do Sul, encontra-se extinto no Uruguai.

Vulnerável

Diante desta realidade, a espécie é listada na categoria de Vulnerável, no Livro Vermelho de Fauna Ameaçada do Ministério do Meio Ambiente, e a mesma categoria é citada na avaliação da IUCN (International Union for Conservation of Nature).

Dieta

Sua dieta é baseada principalmente em formigas e cupins, o que explica parte do seu nome cientí co, já que o termo “myrmecophaga” significa “comedor de formigas”. Possui uma língua muito comprida, capaz de atingir até 60 cm fora da boca, adaptada para penetrar o estreito caminho até o fundo do formigueiro, onde o animal usa a saliva aderente para capturar os insetos. Observações sobre seu comportamento alimentar mostram que o animal permanece por aproximadamente um minuto em cada formigueiro ou cupinzeiro, uma vez que as picadas defensivas das formigas forçam o animal a procurar um novo formigueiro. Usam com frequência a pata dianteira para “varrer” os insetos de sua face.

Durante a alimentação, são capazes de ingerir até 30 mil formigas em um único dia. Como sua dieta é considerada pobre em nutrientes, dormem bastante para economizar energia e bebem água com frequência, chegando até em casos de necessidade, cavarem buracos no solo em busca de hidratação.

Solitários

São animais solitários, de hábito diurno ou noturno, dependendo da região, da variação da temperatura e do período de chuvas. Territorialistas, podem passar o dia inteiro a caminhar em busca de alimentos e abrigo e apresentam frequente atividade no cair da tarde.

Maturidade

Alcançam sua maturidade sexual entre dois e meio a quatro anos de vida. A época reprodutiva ocorre no período da primavera e a gestação dura em média seis meses, nascendo um único filhote. Após o nascimento, o filhote permanece agarrado aos pelos do dorso da mãe, que o carrega cuidadosamente até completar um ano de vida.

Sua vasta pelagem desenvolvida é um atrativo para espécies de ectoparasitas, como os carrapatos, principalmente aqueles do gênero Amblyomma. As espécies de carrapato que podem parasitar o tamanduá-bandeira variam de acordo com a região geográfica, sendo a região do Pantanal mato-grossense um dos principais locais de infestação. São ainda comumente parasitados por helmintos gastrointestinais, como nematóides e cestóides. O tamanduá-bandeira também é bastante susceptível às infecções bacterianas, como, por exemplo, a salmonelose, causada por bactérias do gênero Salmonella.

Ameaças

Dentre as ameaças a espécie, podemos citar o avanço da agropecuária, incêndios, desmatamentos, o crescimento da malha rodoviária e a degradação de seu hábitat natural. Existem ainda outras ameaças, que de forma secundária podem afetar a espécie, como a caça e perseguições, os atropelamentos rodoviários e as intoxicações relacionadas ao uso de inseticidas na agricultura, além de doenças de ordem infecciosas e reprodutivas. A degradação do hábitat natural é a principal causa da redução das populações do tamanduá-bandeira, tendo em vista que esta espécie necessita de ambientes arbóreos, a exemplo, as matas ciliares ou capões de mata do Cerrado, para se abrigar do calor ou frio excessivos.

Medidas de conservação da espécie são essenciais para sua preservação e podem envolver diversas frentes. A realização de estudos sobre sua biologia, incluindo a biogeogra a, contribuem para aumentar o conhecimento e auxiliam no planejamento das ações adequadas à sua conservação, tanto in situ (no seu hábitat natural) quanto ex situ (fora de seu lugar de origem).

A manutenção das áreas onde o animal habita, com o devido controle da atividade humana, são passos fundamentais para a preservação do tamanduá-bandeira. A realização de atividades de educação ambiental podem auxiliar na sensibilização, ao abordar as principais ameaças e a importância da sobrevivência da espécie no ambiente onde vive.

O reconhecimento da necessidade da proteção do tamanduá-bandeira, assim como a implantação dos planos de conservação, asseguram um futuro mais otimista em relação à sua preservação e trazem benefícios a esta espécie e outras que compartilham o mesmo hábitat.