Produção de insetos para alimentação de animais exóticos é novo nicho de mercado

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Grilos, baratas e tenébrios produzidos em fazendas certificadas são fonte de proteína e estimulam o instinto de caça

O melhor amigo do homem não precisa ser necessariamente um gato ou cachorro. Bichos diferentes, como iguanas, lagartos, ratos, macacos, peixes e pássaros exóticos têm conquistado cada vez mais espaço nos lares brasileiros. E os donos garantem: são dóceis, fáceis de criar e merecem todos os mimos dispensados aos pets mais famosos, como a alimentação, por exemplo. Porém, o que muitos não sabem é que esses pets exigem cuidados especiais para se adaptarem ao ambiente doméstico.

Instinto de caça

Uma das importantes características que os bichinhos perdem ao fazer parte de um lar é o instinto de caça. Foi a partir daí que surgiu a Safari, uma empresa especializada na criação de insetos que disponibiliza ao mercado PET diversas opções de alimentação para os animais exóticos. São grilos, baratas e tenébrios comercializados vivos nos pet shops, dentro de pequenas embalagens especiais, desenvolvidas para que garantam a possibilidade de consumo em até de 30 dias. Os insetos têm alto teor de proteína, ácidos graxos e minerais de alta digestibilidade. Além disso, fornecer alimento vivo aos animais estimula o contato com a natureza e diverte o bicho e o dono.

Todos os insetos da Safari são produzidos em uma fazenda localizada em Piracicaba, interior de São Paulo. A criação possui Título de Estabelecimento Relacionado, com aprovação do Ministério da Agricultura, responsável por assegurar a qualidade de produtos de origem animal comestíveis e não comestíveis destinados ao mercado interno e externo.

Mercado mundial

O mercado mundial de consumo de insetos é amplo. Os sócios da Safari investiram cerca de R$ 220 mil desde sua criação, em agosto de 2014.

O “cardápio” oferecido pela Safari é composto por: grilo preto (Gryllus assimillis), tenébrio gigante (Zophobas morio), tenébrio comum (Tenebrio molitor), barata cinérea (Nauphoeta cinérea) e barata blaberus (Blaberus giganteus). Em breve, a espécie barata madagascar (Gromphadorhina portentosa) também fará parte da produção que, hoje, já soma milhões de insetos e podem ser oferecidos para lagartos, roedores, macacos, pássaros de médio e grande porte e peixes. Nutritivamente, os insetos substituem a ração. Eles possuem alto teor de proteínas, gorduras e cálcio. Mas a dieta do pet não pode ser substituída apenas por insetos e sim usá-los como um mimo para o animal.

Produção simples

O sistema de produção é bem simples, mas há cuidados específicos para manter o ambiente sempre limpo e sem exposição a dejetos. A alimentação dos insetos é preparada com farelo de trigo, milho, cevada e vegetais como legumes e folhas, de onde eles também retiram a água que necessitam. Os excrementos são retirados semanalmente de um reservatório no fundo de cada baia, onde caem por gravidade, mantendo o ambiente sempre limpo. Os insetos criados em cativeiro ficam guardados em ambiente controlado, a fim de evitar contaminação ou contato com espécimes de fora. São todos bem limpinhos.

Investimento

30% dos R$ 220 mil investidos foram gastos com pesquisa e desenvolvimento. “A área é nova, principalmente no Brasil, e não temos muitos materiais publicados. O restante foi utilizado para a construção de três galpões em uma propriedade em Piracicaba, interior de São Paulo, além de recursos utilizados na implantação de equipamentos de processamento e treinamento de pessoal.

Nosso próximo objetivo é investir em farinha de grilo e de tenébrios para a produção de ração e snacks (biscoitos) para animais domésticos. Hoje a empresa fatura R$ 15 mil ao mês e a expectativa de crescimento é faturar R$ 60 mil ao mês. Nas vendas ao varejo, 10 baratas cinérea custam cerca de R$ 25,00.

Segurança alimentar

A FAO, Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, publicou em 2015 um documento sobre “A Contribuição dos Insetos para a Segurança Alimentar, Subsistência e Meio Ambiente” (http://www.fao.org/3/d-i3264o. pdf), no qual informa que o aumento da população, urbanização e o crescimento da classe média têm elevado a demanda global por alimentos, especialmente as fontes proteicas animais. Segundo o estudo, por volta de 2030 teremos que alimentar nove bilhões de habitantes, juntamente com outros bilhões de animais criados anualmente para  ns alimentícios, recreativos ou como estimação.

Uma das maneiras existentes para se resolver o problema de segurança alimentar seria a criação de insetos, pois eles se reproduzem rapidamente, têm altas taxas de crescimento e de conversão alimentar, além do mínimo impacto ambiental causado em todo seu ciclo de vida. São nutritivos, com alto teor de proteína, ácidos graxos e minerais. A cada 100g de alimento cru, a carne bovina apresenta 20,2g de proteína, ao passo que 100g de barata cinérea oferecem 60g e grilo preto 48g.

O estudo considera insetos criados sob supervisão e não aconselha a ingestão de insetos retirados diretamente da natureza, uma vez que estes podem estar sujeitos a contaminantes externos.

No Brasil, por enquanto, a produção de insetos é voltada somente à alimentação animal, pois ainda não há legislação especí ca para a produção e comercialização de insetos para a alimentação humana. Embora a maneira de produção dos insetos siga as mesmas exigências sanitárias para animais e humanos, é necessário um selo SIF/ER específico para cada criadouro.

Mais informações: https://www.facebook. com/safarinsetos

2017-09-28T12:42:33+00:00