Tecnologia avançada na produção de leite

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Foto: Roberto Jank Jr., pres. da Agrindus

Segundo Roberto Jank Jr, presidente da Agrindus, empresa que produz 20 milhões de litros de leite/ano, a aposta no melhoramento genético do rebanho, os cuidados com o manejo e a atenção com qualidade são o diferencial da produtividade

A história da Agrindus S/A, localizada em Descalvado, importante bacia leiteira do Estado de São Paulo, começou em 1945. Na ocasião, a Fazenda Santa Rita tinha como foco principal o cultivo de café, além de leite, atividade que hoje ocupa 500 hectares dos 2 mil hectares da propriedade.

Vice-campeã

Atualmente, a empresa é a segunda colocada no ranking dos maiores produtores de leite do Brasil. A empresa sempre se manteve no topo de produção nacional e, na última década, ganhou maior projeção com a industrialização do leite tipo A, cujo diferencial é a rastreabilidade total dos produtos, da origem do alimento das vacas, passando pela produção de bezerras até chegar ao leite envasado.

O rebanho da propriedade é formado por 3.500 fêmeas da raça Holandesa Preto e Branco PO, registradas, das quais 1.400 em lactação. A sala ordenha funciona 24 horas por dia e a produção diária alcança 50 mil litros de leite tipo A, com média de 35 litros/vaca/dia. “Vendemos leite diariamente em 60 cidades do Estado de São Paulo”, afirma Roberto Hugo Jank Jr., engenheiro agrônomo, diretor presidente da Agrindus S/A, vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite – Leite Brasil e membro da Láctea Brasil.

Todos os animais têm pedigree e são registrados na Associação Brasileira da Raça Holandesa. “Possuímos o maior rebanho de fêmeas holandês registrado do País e produzimos 18 milhões de litros por ano. Nossa ideia é termos 1.800 vacas em lactação e uma produção anual de 20 milhões de litros, o que será possível com (a construção de) um novo free stall e uma sala de ordenha nova, duplo 30, recém-construídos”, conta Jank Jr. A expectativa é ampliar a produção para 65 mil litros por dia até 2015.

Sala de ordenha: Profilaxia utiliza pré e pós-diping

Melhoramento genético

O sucesso do empreendimento se deve principalmente ao melhoramento genético do rebanho, que começou há 31 anos, com a introdução da inseminação artificial. Atualmente, a Agrindus utiliza todos os métodos de reprodução: transferência de embriões, FIV (fertilização in vitro) e IATF (inseminação artificial em tempo fixo). Na Santa Rita, a novilha começa a reprodução aos 14 meses.

“O selo Koscher garante que o leite é processado segundo as estritas exigências da tradição judaica. Toda a produção é monitorada, eletronicamente, à distância por técnicos localizados em Israel.”

Chip eletrônico

Todas as matrizes possuem chip eletrônico e a ordenha é computada individualmente, para cada animal. O manejo das fêmeas constitui-se em três ordenhas diárias, no sistema de alojamento em free stall (baia livre), um galpão aberto, com acesso a piquete de capim, com liberdade para caminhadas, descanso e banhos de sol, onde as vacas se alimentam e descansam entre uma ordenha e outra. No local, há alimentação balanceada, à vontade água limpa, sal mineral e todo o conforto possível, que inclui ventiladores e spray de água para que as vacas se refresquem quando a temperatura esquenta, além de um coçador.

As matrizes possuem chip eletrônico e a ordenha é computada individualmente

Cama de areia seca

“A cama de areia seca é um diferencial do manejo”, diz Jank Jr..

A fazenda também possui maternidade, bezerreiro – onde ficam as crias depois de apartadas das mães e recebem os cuidados necessários, além de leite e alimentação quando chegam ao desmame – e sala de ordenha. A bezerra só fica com a mãe no dia do nascimento. Até dois meses de idade, recebe leite no balde e ração. Depois, vai para piquete com capim e ração.

Depois da ordenha, o leite é imediatamente refrigerado e segue diretamente para a pasteurização por tubulação inoxidável fechada, sem passar por caminhão tanque, transbordo de produto, silos e tanques de terceiros. Daí vai para a homogeneização, envase e distribuição e, no dia seguinte, chega à casa do consumidor.

No Free Stall, as vacas se alimentam e descansam com todo conforto térmico e físico

Laticínios

Além do leite tipo A integral, semidesnatado e desnatado, envazado na própria fazenda, com a marca Letti, a empresa também produz iogurtes e creme pasteurizado. “A pasteurização elimina os micro-organismos nocivos à saúde, mantendo as propriedades nutritivas do leite”, informa Jank Jr., acrescentando que, para o controle de qualidade dos produtos, conta com laboratório próprio no laticínio.

“A produção é toda própria, pois o leite tipo A não permite que o produto seja transportado em caminhões. Tem que ser canalizado diretamente da ordenha para o pasteurizador, sem o contato manual”, conta Jank Jr.

Boas práticas

A propriedade também segue um Manual de Boas Práticas, além de realizar vários controles internos e externos. Atende à legislação federal e é fiscalizada pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal), além de diversas auditorias internas e externas que ocorrem ao longo do ano.

Desde 1992, o manejo nutricional do rebanho utiliza o sistema de ração completa misturada (total mixed ration – TMR), que proporciona uma composição nutricional equilibrada dos ingredientes, que são controlados, monitorados e ajustados, de forma que todas as vacas recebam a mesma dieta. São toneladas de ração composta de forragens e concentrados, ingredientes misturados de forma a obter uma mistura de conteúdo nutricional e conseguir boa eficiência econômica. Na Agrindus, a forragem principal é a silagem de milho, mas também são utilizados grãos fibrosos como polpa cítrica, caroço de algodão, farelo de soja, minerais, além de farelo e refinazil de milho.

Sanidade

A assistência sanitária é feita por um médico veterinário, três vezes por semana, e o foco principal é a prevenção e inclui vacinações usuais, que garantem um rebanho livre de brucelose e tuberculose. A profilaxia da ordenha utiliza o pré e pós-dipping (antes e depois da ordenha).

Administração

O sistema de administração, setorizado, é dividido em setor de produção, industrialização e comercial, todos independentes, segundo o executivo que está preparando a empresa para o futuro. “Investimos R$ 2,5 milhões na construção de um free stall e uma sala de ordenha dotada de equipamentos de conforto térmico, com capacidade para mais 350 vacas, prevendo um crescimento de 20% da produção até 2017”, conta. Além disso, em 2013 e 2014 estão previstos investimentos de R$ 2,5 milhões em melhoramento genético, através do programa Gestor Leite, da CRV Lagoa, de Sertãozinho (SP), que criou a ferramenta Índice Econômico Brasileiro (IEB), que mede os ganhos em produtividade.

“Com o uso da genética, planejamos intensificar ainda mais a nossa produção e alcançar a produção anual de 24 milhões de litros de leite, com pelo menos 1,8 mil vacas em lactação”, prevê.

Além da atividade leiteira, a Agrindus dedica-se à pecuária de corte, à avicultura e ao cultivo de laranja, além de ser autossuficiente na produção de alimentos para os animais. Também realiza um leilão anual, onde oferece gado Holandês PO com carga genética diferenciada. Atualmente, emprega 220 profissionais, em todas as atividades.

Trajetória

Em 1962, a expansão da atividade leiteira exigiu investimentos no plantio de milho para garantir a alimentação da vacada o ano todo. A ordenha mecânica foi implantada no local em 1963. Dois anos depois, o leite, que antes era destinado à indústria, passou a ser utilizado na própria fazenda, na produção de queijo, vendido sob a marca Queijo Agrindus. A nova atividade prosseguiu até 1973, quando a empresa decidiu produzir leite tipo B. A entrada no mercado de leite levou à unificação das unidades de confinamento e ordenha com a instalação de uma moderna unidade, em 1996.

Em 2007, a Agrindus lançou a Letti, sua marca própria de leite tipo A, creme de leite fresco e iogurtes. A aposta na verticalização agregou valor à produção, que é diferenciada do mercado em qualidade e em biosseguridade, tanto pela rastreabilidade, quanto pelo aspecto de ser um leite fresco, pasteurizado, produzido e vendido localmente. “Além dos benefícios em possuir nossa própria marca, garantimos um preço mais estável ao longo do ano”, destaca.

A empresa anuncia, para breve, o lançamento de queijo frescal de alta qualidade.

Selo Koscher

Há mais de 10 anos, a Agrindus tem como cliente a comunidade judaica, um cliente bastante exigente e o leite deve estar de acordo com as normas judaicas. O leite ordenhado corre por uma linha subterrânea até os tanques de refrigeração. Um sistema de câmeras permite que a qualidade do produto seja monitorada do outro lado do mundo. O monitoramento é feito em Israel por clientes da fazenda que querem manter rígidos os padrões de qualidade do leite, exigidos pela comunidade judaica.

A propriedade conquistou o selo Koscher, que permite o controle de qualidade à distância. A fiscalização é feita por meio de 16 câmeras instaladas em toda a cadeia produtiva e as imagens, em tempo real, são transmitidas via internet para o rabino. Essa é a primeira vez o certificado foi concedido para fazendas fora de Israel e Estados Unidos. “Tudo é rastreado e controlado, diferente de indústrias que compram leite de terceiros, que teriam mais dificuldades em realizar esse controle. Na prática, significa que o leite pode ser consumido com segurança”, afirma Jank Jr., lembrando que o selo Koscher, para 100% da produção, acompanha toda higiene do processo.

Sustentabilidade

Os cuidados com o meio ambiente fazem parte da rotina da Fazenda Santa Rita, que desenvolve várias ações voltadas para minimizar o impacto da atividade leiteira. Uma delas é o aproveitamento integral dos efluentes (parte líquida e parte sólida do esterco produzido). Após tratamento anaeróbico, a parcela líquida é empregada na ferti-irrigação de gramíneas que são utilizadas na alimentação das vacas. “Desta forma, fecha-se um ciclo onde os nutrientes da grama alimentam a vaca que proporciona minerais para a forragem através do esterco”, explica Jank Jr.

A fazenda também realiza reciclagem, com reuso da areia utilizada na cama das vacas, limpeza dos galpões, decantação, separação de esterco por gravidade, sem o consumo de energia elétrica. Além disso, faz o aproveitamento de águas pluviais, através de captação de chuva dos telhados para limpeza das instalações.

“Quanto à parte que envolve a ordenha e produção do Leite Tipo A, vale ressaltar que o laticínio fica localizado ao lado da sala de ordenha das vacas. Desta forma, elimina-se o transporte de leite cru até as indústrias, fato que contribui com a redução da emissão de gases de efeito estufa”, finaliza o diretor presidente da empresa.

2018-07-10T16:30:53+00:00