ZOOTECNIA: Uma ciência voltada para o desenvolvimento das cadeias produtivas dos animais

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A Zootecnia é uma ciência agrária voltada para desenvolver as cadeias produtivas de animais domésticos e domesticáveis, visando subsidiar conhecimento, tecnologias, produtos, processos e atendimento aos mercados consumidores, para o atendimento da demanda alimentar e de inúmeros setores que utilizam os produtos e subprodutos dos segmentos da cadeia agroalimentar.

Atuação dos profissionais

Segundo a Associação Brasileira de Zootecnistas, ABZ, a atuação dos profissionais de zootecnia permeia a produção animal, preservação do meio ambiente, conservação dos recursos naturais, preservação da fauna, criação de animais de companhia, lazer e esporte, além das atividades relacionadas à produção de alimentos nos setores da agropecuária e das agroindústrias.

Nos setores da produção animal, a Zootecnia tem uma atuação fundamental nas áreas de nutrição, melhoramento genético, reprodução, sanidade e na administração e gestão das propriedades e empreendimentos rurais.

Gestão

Nos últimos anos, com o aumento do número de pro ssionais formados em Zootecnia, sua atuação se expandiu nas áreas de gestão de instituições públicas e privadas, nas pesquisas em biotecnologia animal, em desenvolvimento de sistemas de produção de animais silvestres, nas áreas de produção de alimentos de origem animal tanto nos processos de qualidade quanto na biossegurança, em diferentes setores do agronegócio, como os segmentos de processamento e mercado, além da integração em equipes multidisciplinares em diversas áreas da economia, da tecnologia e outras.

Pecuária sustentável

O conceito de sustentabilidade surge formalmente no relatório Bruntland, realizado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento das nações Unidas (CMMAD), em 1988, que diz que “a sustentabilidade é o desenvolvimento que satisfaz as necessidades da geração presente, sem comprometer as possibilidades das gerações futuras, em satisfazer suas necessidades” (Nosso,1988).

O conceito de agricultura (pecuária) sustentável abrange um amplo leque de visões re etindo o conflito de interesses existentes na sociedade. A proposta de um desenvolvimento sustentável, incluindo as atividades agropecuárias, contempla a conservação dos recursos naturais, a utilização de tecnologias apropriadas, bem como a viabilidade econômica e social.

A Pecuária sustentável pode ser caracterizada pelo despertar do setor que assume seu papel maior nas questões de preservação do meio ambiente e conservação dos recursos naturais. A criação do Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, GTPS, con rma a direção que a cadeia agroalimentar da pecuária tem para os próximos anos e em caráter irreversível.

A Pecuária, tanto para produção de carne como de leite, é presente em todos os biomas brasileiros, todos os estados e, na maioria dos municípios, se apresenta em micro, pequenas, médias e grandes propriedades rurais, seus proprietários apresentam diferentes perfis e com visões e loso as que muitas vezes divergem e outras vezes são convergentes.

Avanços tecnológicos

Os avanços tecnológicos do setor da pecuária, nos últimos vinte anos, promoveram bons resultados nas técnicas de melhoramento genético e reprodução animal, no manejo nutricional, no manejo do rebanho voltado para o bem-estar animal, nos sistemas de rodízio de pastagens e na pro ssionalização dos sistemas de produção intensivos, como os sistemas de con namento. A integração com a conservação dos recursos naturais vai garantir um aumento de produtividade de forma sustentável.

Produção e boas práticas

A legislação pertinente relacionada aos programas de boas práticas de produção animal inclui Leis, Decretos e respectivas Instruções Normativas que de nem as regras sobre os processos de produção da pecuária de corte e de leite e demais exigências sobre o licenciamento das atividades produtivas e agroindustriais.

Ressalta-se atualmente o fundamental cumprimento da legislação ambiental, com ênfase nas questões relacionadas ao Código Florestal e suas exigências quanto à área de reserva legal a ser adotada por bioma, as áreas de preservação permanente, APP, assim como as demais regras sobre o uso dos recursos hídricos e orestais.

Em 2003, o comitê de agricultura da FAO deu início ao desenvolvimento de um protocolo de boas práticas agropecuárias. Após reuniões e workshops internos, em 2005 foi publicado o documento, “Sustainable Agriculture and Rural Development” (SARD). O comitê sugeriu também que o protocolo de Boas Práticas Agropecuárias da FAO seja aderido voluntariamente e que não cause barreiras na hora de exportar caso algum produtor não queria aderir à prática. Mas, que o protocolo seja consistente de acordo com as normas da CODEX, IPPC e OIE1.

Segundo a recomendação da FAO em abril de 2003, os critérios para o desenvolvimento das Boas Práticas de Produção Agrícola e Pecuária devem seguir premissas que considerem aspectos ambientais, econômicos e sociais. (FAO COAG 2003 GAP paper)

No Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, EMBRAPA, realiza a difusão do Programa de Boas Práticas Agropecuárias. “O conceito geral é de que as Boas Práticas são normas e procedimentos que devem ser observados pelos produtores rurais para garantir a produção de alimentos seguros em sistemas de produção sustentáveis. São aqueles que respeitam as legislações ambientais e trabalhistas, são socialmente justos, economicamente viáveis e respeitam os bons tratos para com os animais”. (Manual de Boas Práticas Agropecuária – Brazilian GAP; EMBRAPA Gado de Corte, 2008).

Conversão para sistemas orgânicos

A produção animal em sistemas de produção orgânica é baseada na recente regulamentação da Lei n° 10.831 que de niu os fundamentos da produção orgânica animal e formaliza o Programa de Boas Práticas da Produção Orgânica Animal e todas as exigências para a produção e processamento dos produtos de origem animal.

O primeiro ponto sobre a legislação da produção orgânica animal é quanto ao período de conversão, de acordo com a Lei número 10.831, anexo da Instrução Normativa número 46, para a produção animal, no item 3.4, “O período de conversão será variável de acordo com o tipo de exploração e a utilização anterior da unidade de produção, considerando a situação ecológica e social atual, com duração mínima:

I – para aves de corte: pelo menos : (três quartos) do período de vida em sistema de manejo orgânico;

II – para aves de postura: no mínimo 75 (setenta e cinco) dias em sistema de manejo orgânico;

III – para bovinos, bubalinos, ovinos e caprinos, de corte e leiteiros: pelo menos 6 (seis) meses em sistema de manejo orgânico; (…)

No caso especí co da Pecuária, em relação às pastagens e produção de volumosos, o período de conversão será variável de acordo com o tipo de exploração e a utilização anterior da unidade de produção, considerando a situação ecológica e social atual, com duração mínima de 12 (doze) meses de manejo orgânico ou pousio na produção vegetal de pastagens perenes e formadas.

Após este período de conversão, os sistemas de produção são reconhecidos pelas entidades (certificadoras) credenciadas junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, MAPA, e recebem o certificado do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, SISORG, e consequentemente o selo Nacional.

Aquicultura/Piscicultura e segurança alimentar

A aquicultura é uma atividade que vem crescendo no mundo inteiro. Uma das modalidades dessa atividade é a piscicultura.

A criação de peixes vem sendo praticada há muitos anos e nas últimas décadas tem se destacado entre as atividades de maior desenvolvimento em todo o mundo, sendo responsável pela geração de inúmeros postos de trabalho e por abastecer boa parte da humanidade com pescado, garantindo a segurança alimentar com boas produções em pequenas áreas.

A pobreza é uma das principais causas da insegurança alimentar, sendo a produção de pescado sustentável um importante instrumento para a sua redução.

A piscicultura se torna um componente atraente e importante à população rural, em situações em que aumentam as pressões populacionais, a degradação ambiental e a redução das capturas por meio da pesca. Tal atividade traz benefícios para a saúde e a nutrição, geração de empregos, melhora a renda, reduz a vulnerabilidade das propriedades e a sustentabilidade destas.

A piscicultura é de caráter econômico, como toda atividade zootécnica. Esse caráter implica o desenvolvimento da atividade sob aspectos empresariais, visando ao fornecimento de alimento à maior parte da população, gerando empregos e melhoria de renda.

Essa atividade pode ser praticada por diferentes sistemas de produção. O sistema de produção em piscicultura pode ser extensivo (em tanques escavados, geralmente com baixo nível tecnológico, não utilização de concentrado e baixa produtividade), semi-intensivo (realizados em tanques escavados com nível tecnológico intermediário a alto, de média a alta produtividade, com utilização variável de concentrado) e intensivo (sistemas com renovação de água constante ou com fluxo contínuo, alta produtividade, alto uso de concentrado, com possibilidade de ser realizado em construções com alto nível tecnológico e grande custo de implantação inicial ou em tanques-rede, aproveitando os corpos d’agua existentes).

Piscicultura

O cultivo de peixes em tanques-rede vem crescendo em todo o mundo. Esse tipo de cultivo permite a utilização de rios, reservatórios, lagos e açudes que não podem ser utilizados nos cultivos tradicionais.

A utilização de tanques-rede é uma modalidade da piscicultura intensiva, praticada geralmente em corpos d’água de grandes dimensões onde o produtor não poderia estabelecer domínio dos lotes de criação ou de áreas que não podem ser esgotadas totalmente e não permitem o uso de redes para a captura. Os primeiros cultivos com essa metodologia foram utilizados no Vietnã onde os piscicultores engordavam peixes de valor comercial em cestos ou gaiolas de bambu.

O sistema de cultivo de peixes está bem próximo da cultura dos pescadores, com o peixe e o ambiente aquático fazendo parte do seu cotidiano, surgindo como atividade econômica alternativa onde a pesca está em declínio, gerando emprego e renda.

Além disso, o cultivo de peixes em tanques-rede ajuda no desenvolvimento da cadeia produtiva; contribui para a redução das importações de pescado; e aumenta a oferta de proteína animal à população.

No cultivo em tanques-rede os peixes são con nados em altas densidades, dentro de uma estrutura onde os animais recebem ração balanceada e que permita uma grande troca de água com o ambiente. A alta taxa de renovação de água dentro do tanque-rede é o principal fator que viabiliza a alta densidade populacional e a produção de uma grande biomassa de peixes por unidade de volume (50 a 250 kg/m3), já que supre a elevada demanda por oxigênio e remove os dejetos produzidos.

2018-03-25T04:08:14+00:00