Leptospirose

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Sinonímia

Doença de Weil, síndrome de Weil, febre dos pântanos, febre dos arrozais

Etiologia

A Leptospirose é causada por espiroquetas do gênero Leptospira, família Leptospiraceae, ordem Spirochaetales. São bactérias pouco resistentes à luz solar direta, aos desinfetantes comuns e aos antissépticos. As leptospiras patogênicas possuem um período variado de sobrevivência na água, conforme a temperatura, o pH, a salinidade e o nível de contaminação.

A classificação sorológica das bactérias do gênero Leptospira a divide em duas espécies, Leptospira interrogans e Leptospira biflexa, visto que as leptospiras patogênicas pertencem à espécie L. interrogans, enquanto a espécie L. biflexa agrupa as cepas ambientais. Segundo essa classificação, estas duas espécies são subdivididas em sorogrupos compostos por sorovares. Com o sequenciamento completo do genoma da bactéria, tem-se também uma classificação genotípica baseada na similaridade do DNA entre as leptospiras.

Distribuição geográfica

A leptospirose é uma zoonose de distribuição mundial e endêmica em países de clima tropical devido as suas condições climáticas, geológicas e sociais, que favorecem sua transmissão e contribuem para sua maior ocorrência. É uma enfermidade bastante negligenciada, apesar do número de casos em humanos ter aumentado a cada ano em todo o mundo. Este fato pode ser devido ao crescimento das populações humanas, associada com a invasão de habitats de animais silvestres, gerando uma maior interação entre os humanos e animais com maior exposição a diferentes estirpes de leptospiras, incluindo as presentes em ambientes rurais e urbanos.

Ocorrência em humanos e animais

A leptospirose pode acometer os animais silvestres, domésticos e os humanos. Os sorovares de leptospiras são divididos em dois grupos: estirpes adaptadas e mantidas pelo próprio hospedeiro, onde a transmissão ocorre de forma direta de animal para animal e outro de estirpes incidentais mantidas por outras espécies, domésticas ou silvestres, onde a ocorrência está relacionada aos fatores ambientais. Portanto, o tipo de infecção por Leptospira é muito influenciado pelas espécies hospedeiras e pela estirpe bacteriana envolvida. Com isso, a leptospirose pode se apresentar como uma infecção aguda, podendo ser fatal, em hospedeiros incidentais; ou uma infecção crônica, em sua maioria assintomática em hospedeiros adaptados.

A doença em humanos e animais

A leptospirose pode causar febre, insuficiência renal e hepática, alterações pulmonares e em animais acometidos por estirpes adaptadas ao hospedeiro podem apresentar principalmente falhas reprodutivas. Os sinais clínicos podem ser menos graves quando associados à sorovares adaptados ao hospedeiro, tais como Canicola em cães, Bratislava em cavalos, Pomona em suínos e Hardjo em ruminantes. Outros sorovares, quando não adaptados ao hospedeiro, podem estar envolvidos na ocorrência mais grave da doença com manifestação de alterações renais, pulmonares e hepáticas, com apresentação de icterícia.

Em ruminantes, os sinais mais frequentemente observados durante a infecção principalmente por leptospiras adaptadas são abortamento, repetição de cio e natimortalidade. Os animais hospedeiros adaptados tornam-se carreadores de leptospiras nos túbulos renais por longos períodos e eliminam o microrganismo no ambiente por meio da urina de forma intermitente, tornando-se fonte de infecção para o ambiente, outros animais e humanos.

Fonte de infecção e meios de transmissão

Reservatório

Os animais são os reservatórios essenciais de leptospiras, tendo os roedores sinantrópicos (ratos domésticos) como principal fonte de infecção. A ratazana ou rato de esgoto (Rattus norvegicus) é a principal espécie portadora do sorovar Icterohaemorraghiae, um dos mais patogênicos para o homem.

Meios de transmissão

A infecção humana resulta da exposição à urina de animais infectados, principalmente roedores, diluída em coleções hídricas ou águas e lama de enchente. Em menor escala, pelo contato direto com sangue, tecidos ou órgãos de animais infectados. Os animais infectados podem eliminar leptospiras pela urina durante meses, anos ou por toda a vida, segundo a espécie animal e o sorovar envolvido. A transmissão entre humanos é rara e sem importância epidemiológica.

Papel dos animais na epidemiologia

As leptospiras podem hospedar-se em diversos grupos de animais vertebrados, no entanto, os mamíferos são os que, na atualidade, apresentam maior significado epidemiológico. Inquéritos conduzidos em ecossistemas silvestres, não modificados pela ação humana, referem à presença da infecção em roedores, marsupiais, carnívoros e edentados.

No entanto, em ecossistemas rurais e urbanos, o principal reservatório da bactéria é constituído pelos roedores sinantrópicos, entre os quais o Rattus norvegicus (ratazana ou rato de esgoto), ocupa uma posição de destaque no papel epidemiológico da enfermidade. Neste grupo de animais, a relação parasito-hospedeiro revela uma condição de equilíbrio na qual os animais acometidos, usualmente, não manifestam nenhum sinal da infecção.

Diagnóstico

Sempre que possível, a suspeita clínica deve ser confirmada por métodos laboratoriais específicos. Os métodos sorológicos mais utilizados são o teste de soroaglutinação microscópica, que é o teste recomendado pela Organização Mundial da Saúde Animal e o Teste Elisa. O teste de soroglutinação microscópica fornece resultados sorogrupo-específicos, porém há possibilidade de reação cruzada entre sorovares de sorogrupos diferentes. Na interpretação de tais resultados, o sorogrupo infectante mais provável é o que determina título mais alto.

O teste ELISA apresenta capacidade de distinção entre uma infecção crônica e aguda por meio da detecção de imunoglobulinas específicas das classes IgM e IgG, porém fornece resultados gênero-específicos, não podendo detectar o sorovar infectante, limitando assim sua utilização para estudos epidemiológicos. Com isso, a utilização do ELISA como método exclusivo de diagnóstico, substituindo o teste de soroaglutinação microscópica, não é recomendado. Métodos moleculares, como a PCR, vêm sendo cada vez mais utilizados no diagnóstico da leptospirose animal, visto que esta técnica apresenta elevada sensibilidade e especificidade. Em bovinos, a PCR tem sido uma ferramenta muito importante para identificação de animais carreadores, bem como no controle da enfermidade.

A combinação de métodos sorológicos de triagem, juntamente com um método diagnóstico direto que identifique animais carreadores de leptospiras, como a PCR, já foi reportada como fundamental para um diagnóstico confiável da infecção em rebanhos bovinos. Para esclarecimento etiológico de óbitos: testes histopatológicos convencionais e pesquisa de leptospiras por colorações especiais ou imuno-histoquímica (cérebro, pulmão, rim, fígado, pâncreas, coração e músculo esquelético).

Notificação

É uma doença de notificação obrigatória

Medidas de prevenção e controle

Relativas às fontes de infecção

  • Notificação, busca e confirmação de dados do paciente ou do animal, investigação epidemiológica de casos e detecção de áreas de risco.
  • Controle de roedores (anti-ratização e desratização) e melhoria das condições higiênico-sanitárias da população: armazenamento apropriado de alimentos; destino adequado do lixo; cuidados com a higiene; remoção e destino adequado de resíduos alimentares humanos e animais; manutenção de terrenos baldios murados e livre de mato e entulhos;
  • Separação e tratamento de animais doentes (de produção ou companhia); cuidados com suas excretas e desinfecção permanente dos locais de criação.

Relativas às vias de transmissão

  • Utilização de água potável, filtrada, fervida ou clorada para consumo de humanos e animais.
  • Realização de vigilância sanitária de alimentos: produção, armazenamento, transporte e conservação; descarte de alimentos que entraram em contato com águas contaminadas.
  • Limpeza e desinfecção de áreas domiciliares potencialmente contaminadas, com solução de hipoclorito de sódio a 2,5% (um copo de água sanitária para um balde de 20 litros de água);
  • Construção e manutenção das galerias de águas pluviais e esgotos; desassoreamento, limpeza e canalização de córregos; emprego de técnicas de drenagem de águas livres.

Relativas ao indíviduo susceptível

  • Assistência médica adequada
  • Medidas de proteção individual para trabalhadores ou indivíduos expostos a risco, através do uso de equipamentos de proteção individual impermeáveis como botas e luvas.
  • Redução do risco de exposição de ferimentos às águas/lama de enchentes ou outra situação de risco.
  • Imunização de animais domésticos (cães, bovinos e suínos) com vacinas de uso veterinário. Ações de educação em saúde são expressivas na prevenção da doença.

 

Summary: Zoonosis – Leptospirosis
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Fonte: Ministério da Saúde (BRASIL)
Secretaria de Vigilância em Saúde

Fonte da imagem: Wikimedia commons – Category: Rattus norvegicus – Author: Tocekas/Data 2010.04.11

2019-01-23T15:49:38+00:00 23/01/2019|Categories: Zoonoses|