Casqueamento de bovinos: serviço é valorizado, mas mão de obra ainda é escassa

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Elmo Oliveira decidiu virar produtor de leite há dez anos, herdou dos pais a paixão por animais. Mas não demorou muito para começarem os desafios. A baixa produção de leite o deixava preocupado e a falta de conhecimento e experiência tornava tudo mais difícil. Depois de conversar com outros produtores rurais, ele descobriu que as vacas não produziam bem por causa de problemas nos cascos. Aí surgiu outra dificuldade: encontrar alguém qualificado para fazer casqueamento. “Procurei em toda a região e não encontrei ninguém que sabia fazer o serviço, então fui atrás do Senar Minas e decidi fazer o curso. Para mim, foi um divisor de águas”.

O produtor Elmo Oliveira, que se capacitou com o Senar Minas

Elmo aprendeu o casqueamento e resolveu o problema na fazenda dele. Foi então que viu nesta atividade uma oportunidade para ganhar dinheiro.  “Eu já sabia fazer, faltava o equipamento. Foi aí que fiz um acordo com um vizinho: ele tinha o tronco para casquear, mas não sabia fazer o serviço. Disse a ele que cuidaria dos animais dele e, em troca, ele me emprestaria o tronco para prestar o serviço a outros produtores rurais. O negócio cresceu de tal maneira que rapidamente comprei meu próprio tronco e hoje vivo disso, tiro o sustento da minha família fazendo casqueamento de bovinos. Sou muito grato ao Senar Minas”, diz, empolgado.

Vacas que tem dificuldades para reproduzir, que dão pouco leite e que vivem abaixo da média são problemas vivenciados por inúmeros produtores rurais, mas o que muitos não sabem é que isso normalmente está relacionado com os cascos dos animais. “Se a vaca não consegue andar naturalmente, surgem todos estes problemas. Por isso, a importância de saber cuidar dos cascos, de forma corretiva e preventiva. Os resultados podem ser observados em pouco tempo. As vacas terão melhor reprodução, produzirão mais leite, e viverão por mais tempo, reduzindo gastos com remédios e tratamentos”, conta o instrutor Alexandre Bojikian, que ministra este e outros cursos do Senar.

Rafaela Rodrigues, aluna do curso de Casqueamento na comunidade de Cipó Marcela

Mais tempo para aprender

Elmo inspirou outros produtores rurais. Em Luz, na região central mineira, outras turmas já concluíram o curso do Senar Minas, que é realizado através da parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais do município. Neste ano, moradores da região de Cipó Marcela, a aproximadamente 40 quilômetros da cidade, foram os primeiros do estado a fazerem o novo curso de Casqueamento do Senar, com carga horária de 40 horas – até ano passado, era de apenas 24 horas.

Rafaela Rodrigues (na foto da direita), de 19 anos, foi uma dos participantes. Desde mais nova, ela ajuda os avós na produção de leite, mas nem tinha ideia do que era casqueamento. A jovem, que pretende estudar veterinária, diz estar ansiosa para colocar o aprendizado em prática. “Se eu for falar o que aprendi, vou ficar o dia todo. Para mim, não teve curso melhor. Achei bem completo, profundo, foram cinco dias de muito aprendizado. E ainda teve a prática, pude fazer o casqueamento durante o curso e sei que estou preparada agora”.

Alexandre Bojikian comentou sobre o aumento na carga horária do curso, a partir deste ano. “Foram incluídos novos conteúdos, como a avaliação dos aprumos dos animais, que considero extremamente importante. Animal que tem bom aprumo caminha melhor em busca de alimento, se alimenta melhor e, consequentemente, produz melhor. Todos os participantes de Cipó Marcela foram aprovados e poderão, a partir de agora, fazerem em suas propriedades ou fazerem como o Elmo, prestando o serviço a outros produtores rurais, pois existe grande demanda por este trabalho na atividade leiteira, principalmente”.

Assessoria de Comunicação CNA
Fotos: Tony Oliveira
cnabrasil.org.br

2019-02-27T18:38:12+00:00 27/02/2019|Categories: Criação Animal|