Por Luiz Octavio Pires Leal –Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária, Diretor da SNA, Jornalista Editor do site animalbusiness.com.br

“Não importa o que você diz ou escreve. O que importa é o que o outro entende”.  Esta não é uma simples frase. Esta é uma verdade estatisticamente comprovada.

“O meio é mensagem”. Esta afirmação do mais importante filósofo da Comunicação Social, Marshall McLuhan, é outra verdade. Ela quer dizer que a aceitação de um texto tem relação direta com a importância do veículo onde ele é publicado.

Explicando melhor: se você escrever um texto importante e publica-lo num pequeno jornal de uma cidade do interior, ele terá uma aceitação X. Mas se você conseguir publicá-lo no horário nobre de uma importante emissora de TV, a aceitação será 10 ou mesmo 100 X.

A conclusão é que, se o seu texto for realmente importante para o público geral, vale a pena você esforçar-se para publicá-lo num veículo importante. Isso porque “O meio é a mensagem.

Tenho experiência própria relativa a essas duas premissas.

1) Eu era o responsável pela comunicação social do Sistema Petrofértil, na época composto por oito empresas produtoras de matérias primas, fornecidas para as indústrias de fertilizantes.

Na nossa central, no Centro do Rio, trabalhava um velho, agrônomo, muito competente, muito querido, e com prestígio nacional.

Ele comandava um grupo de três jovens agrônomos, que produziam ótimo conteúdo sobre fertilizantes. Mas, como não entendiam de editoração, seu trabalho não tinha nenhuma forma de padronização capaz de valorizá-lo.

Como parte da minha obrigação, redigi um projeto, visando valorizar a equipe do respeitado engenheiro-agrônomo.

Nesse projeto citei uma série de medidas de padronização, como: * A necessidade de título para cada trabalho *O nome do autor e sua identificação, logo abaixo do título, em letras da família Ariel, corpo 11 * Todo o texto em corpo 14 da mesma família Ariel * Início do texto com uma letra Capitular (grande) * Divisão do texto em blocos, precedidos de entretítulos, etc etc.

Consciente de que estava prestando um bom serviço ao velho agrônomo e seus três alunos, enviei esse projeto para a apreciação dele. Mas, ele me telefonou: “Luiz Octavio – sempre tive a maior consideração por você, mas estou muito decepcionado. Li o seu projeto e entendi que você quer acabar com o meu trabalho, que, na minha idade, é tudo que tenho¨. Com a minha cópia do projeto na mão, fui, imediatamente para a sala dele, e pedi: ¨Professor (que era como eu o chamava), vamos ler juntos esse texto.” Chegando no meio da leitura, ele, visivelmente constrangido, me pediu desculpas. “O importante não é o que você diz ou escreve e sim o que o outro entende.”

2) “O meio é a mensagem”.

No meu trabalho de rotina, dava assistência à muito bem montada Granja Ouro Branco. Havia uma importante alteração no sistema de criação que era a introdução do “All-in-All-out, ou seja, a granja precisava adotar esse sistema de Toda-cheia-Toda- vazia” – que era a única maneira de enfrentar a contaminação pelos mais variados tipos de microrganismos.

Durante o período de sete a 10 dias em que a granja fica sem nenhuma única ave, é feita a limpeza e a desinfecção dos galpões e dos espaços próximos. Em seguida começa o novo ciclo com a granja cheia: “All-in-All-out”.

Insisti com o dono da granja que esse novo sistema era uma necessidade porque, o uso crescente de antibióticos não dava mais conta de controlar as doenças. Mas ele, educada e persistentemente não atendia à minha recomendação.

Na época eu tinha uma coluna –assinada – semanal, no então importante Jornal do Brasil, sobre Avicultura, onde escrevi sobre o tal sistema, com os detalhes que cabiam no meu espaço.

Às sete horas da manhã, pedindo desculpas pelo horário, o proprietário me telefonou perguntando se “O que você escreveu na sua coluna de hoje, não é a solução para a Ouro Branco?”. Respondi: É. E ele, em seguida, começou a implantar o novo sistema.

“O meio (no caso o prestígio do antigo Jornal do Brasil) é a mensagem”

Dicas para escrever melhor e ser mais bem compreendido:

1) A inclusão de um título antes de cada matéria, aumenta a leitura muitas vezes. Muitas pessoas só leem o título. Por isso, é fundamental que o título contenha, de forma resumida, toda a matéria.

Vamos imaginar que você esteja lutando para conseguir um aumento no seu salário.

“Caro José – há três anos, recebo o mesmo salário. Acontece que nesses três anos houve uma inflação de X %.

A consequência é que estou com dificuldade para pagar os boletos, os remédios e tive que reduzir até a comida, o que não quer dizer que esteja passando fome. Se a nossa Empresa puder e você achar que eu mereço, por favor, aumente o meu salário na quantidade que você achar adequada”.

Evite perguntar: “Você leu a minha mensagem – concorda comigo?”

Em seguida do título vem o LIDE (de LEAD, em inglês) = o que lidera, o que vem na frente. Aí, em poucas linhas, você conta que está muito satisfeito na Empresa, e mesmo que seja de todo impossível a concessão do aumento, continuará trabalhando, como sempre, com toda dedicação.

2) Sempre comece um texto com uma letra capitular. Também está provado que isso aumenta muito o índice de leitura.

3) Escreva sempre na forma direta. Quem gosta da forma indireta são os antigos latinos e os falsos intelectuais.

4) Procure escrever da mesma forma – ou muito parecida –como fala. Não abuse das gírias.

5) Se o seu texto for longo, divida-o em blocos precedidos de um entretítulo de preferência que tenha relação com o que vem escrito na primeira linha do texto.

Um bom exemplo é esse texto do PhD Carlos Alberto MAGIOLI, que reproduzo, parcialmente:

“Serviços de Inspeção ou Sistema de Inspeção?

Por Carlos Alberto Magioli – Academia de Medicina Veterinária no RJ

Doenças Transmitidas por Alimentos, DTAH, são as causadas pela ingestão de água e/ou alimentos contaminados por bactérias e suas toxinas, vírus, parasitos intestinais oportunistas ou substâncias químicas, existindo mais de 250 tipos.

No período de 2007 a 2020 dados do Ministério da Saúde registram que foram notificados no Brasil em média 662 surtos de DTAH anuais, com envolvimento de 156.691 pessoas acometidas com 22.205 hospitalizações e 152 óbitos confirmados, evidenciando a relevância do tema para a saúde pública, ainda mais considerando que esses números possivelmente estejam aquém da realidade devido as subnotificações,

Assim ao considerar que muitos desses surtos tem origem em produtos de origem animal, a Organização Mundial de Saúde Animal, WOAH, atua na prevenção de doenças dos animais que podem afetar a saúde humana através do contato direto ou de alimentos deles derivados, as denominadas zoonoses.

Zoonoses e Doenças Veiculadas por Alimentos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde as zoonoses, doenças infecciosas que passam de um animal não humano para humanos através de patógenos bacterianos, virais, parasitários ou agentes não convencionais, constituem grande problema de saúde pública em todo o mundo.

No livro Doenças Veiculadas por Alimentos e a Higiene dos Produtos de Origem Animal – Implicações na Saúde Coletiva, o Médico Veterinário Professor Iacir Francisco dos Santos aborda que, considerando o nível avançado alcançado pela ciência no campo da higiene alimentar, parece estranho que exista uma dedicação cada vez maior em nível mundial sobre o tema “infecções e intoxicações alimentares”, ocorrendo não somente em países com níveis relativamente baixos de higiene alimentar, como também e talvez ainda mais, naqueles com elevado padrão higiênico, cuja explicação parece surgir do fato contraditório de que, apesar dos avanços específicos na área, tem aumentado a prevalência dessas doenças em diversos países.

Complementa o autor que a inspeção sanitária em qualquer nível da administração pública, preconiza controle sanitário dos produtos cárneos e de outros produtos de origem animal, oriundos de estabelecimentos registrados nos Serviços de inspeção de modo a assegurar a saúde do consumidor.

Desta forma os controles na elaboração de alimentos principalmente os de origem animal requer atenção dos estabelecimentos produtores e dos governos através dos seus serviços de fiscalização e inspeção e, com base nesses conceitos, no Brasil desde 1950 através lei 1283, foi estabelecida  a obrigatoriedade da prévia fiscalização, sob o ponto de vista industrial e sanitário, de todos dos produtos de origem animal, comestíveis e não comestíveis, sejam ou não adicionados de produtos vegetais, preparados, transformados, manipulados, recebidos, acondicionados, depositados e em trânsito, ou seja, por razões sanitárias em benefício do consumidor  todos os alimentos de origem animal devem ser submetidos a prévia fiscalização industrial na origem, antes de serem postos ao consumo.

Essa fiscalização incluindo a inspeção das condições de saúde dos animais destinados ao consumo durante as suas fases tecnológicas de abate e na industrialização de seus produtos derivados, carne, leite, ovos, mel e pescado é exercida pelos Serviços oficiais de Inspeção, a cargo do poder público, em níveis federal, estadual ou municipal, englobando os aspectos de higiene, sanitário e tecnológico de produção com o viés na saúde pública de zelar pela saúde de quem os vai consumir.

Serviços de Inspeção

É necessário salientar que cada um destes órgãos, por princípio, deveria possuir estrutura apropriada para exercer a sua atividade fiscalizadora com base em critérios semelhantes, como único objetivo de oferecer ao consumidor um produto com a qualidade sanitária e nutritiva igualitárias que dele se espera.      Entretanto está lógica, no geral, não é obedecida com cada órgão adotando legislações e metodologias de ações diferenciadas como se as necessidades alimentares dos cidadãos fossem diferentes, em função de como ele é classificado se munícipe, estadual ou nacional.”

Repare que, quando não há entretítulo, mesmo assim o texto é dividido em blocos para facilitar a leitura.

6) Não abuse dos adjetivos numa mesma frase porque se você fizer isso eles perderão a força. Mas não precisa transformar essa recomendação numa “religião”. Se você está se referindo a uma pessoa bonita, não precisa escrever que ela é bela, para não repetir o adjetivo. Bonita é bonita e essa palavra, ao menos para mim é mais forte do que bela.

7) Para finalizar – se é que você aguentou até agora – um pouco da história.

O termo Comunicação Social é uma criação multimilenar da Igreja Católica, com o objetivo de angariar fiéis. Esse sistema é composto de: * Igrejas sempre muito bem localizadas *Confessionário, que é uma forma de pesquisa para conhecer os problemas da população da região *Cruz – que é um símbolo universal perfeito, fácil de desenhar e de construir, e o *Sino, forma de comunicação que independe de qualquer forma de energia não-humana, que não necessita de manutenção e que tem duração infinita.

Conclusão

Ficarei muito contente se esse texto for de alguma utilidade. Mas se esse não for o caso, sinto que não perdi meu tempo nessa tentativa de ser útil para os meus colegas. A caminho dos 92 anos, isso é o que tenho de melhor para oferecer.

Havendo dúvidas, escreva para o WhatsApp 21 9-6830-0511.