Ciência e Tecnologia

Por Adeildo Lopes Cavalcante

Ciência e Tecnologia2020-05-27T13:29:02-03:00
605, 2021

Aplicativo auxilia produtor de leite no controle da mastite, principal doença que ataca as vacas

Com linguagem simples e acessível a todos produtores, o Mast Check, desenvolvido pela MSD Saúde Animal, é capaz de registrar cada vaca doente e qual o produto usar, independentemente da marca.

A mastite é considerada a doença que mais causa prejuízos para a produção leiteira mundial. No Brasil, de acordo com a Embrapa a enfermidade acomete cerca de 20% a 38% de todo rebanho nacional, refletindo diretamente na produtividade. Estima-se que a redução da produção de leite responda por 70% de todos os custos da mastite, que vão desde os custos com medicamentos, descarte de leite e de animais, efeitos negativos sobre a reprodução e na qualidade do leite.

Visando contribuir para a solução deste problema, a MSD Saúde Animal criou e lançou o Mast Check, um aplicativo de celular destinado à gestão da mastite. “Com esse dispositivo, de fácil manuseio, é possível registrar a vaca doente, identificar a parte da glândula mamária afetada, o medicamento aplicado e programar as próximas aplicações e o descarte de leite”, diz Gustavo Ferro, gerente de Precisão, da MSD Saúde Animal.

2904, 2021

EPAMIG desenvolve projeto para impulsionar silagem de trigo em Minas Gerais

O uso de silagem de trigo para alimentação de bovinos cresce cada vez mais no Brasil, sobretudo em estados da região Sudeste do país. O produto (preparado e conservado em silo) pode ser oferecido tanto para gado de leite como para gado de corte. Em Minas Gerais, porém, a silagem de trigo ainda não é um recurso utilizado em larga escala no estado.

Por isso, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado (EPAMIG) desenvolve um projeto para impulsionar essa alternativa de alimentação animal.

O pesquisador da empresa, Maurício Coelho, explica que boa parte das cultivares de trigo disponíveis e adaptadas para as condições de clima e solo de Minas Gerais não são aptas para a silagem de trigo.

“As espigas possuem uma estrutura que a gente chama de arista que dificulta a digestão da silagem e, às vezes, acaba até ferindo o rúmen dos animais, explica Maurício.

Para resolver o problema, a EPAMIG realizou pesquisas com a cultivar de trigo MGS Brilhante, que está plenamente adaptada às condições de solo Minas Gerais e já é utilizada por produtores para produção de grãos.

No chamado período de sequeiro, com incidência regular de chuvas, a MGS Brilhante produz entre 25 e 35 toneladas de silagem por hectare. Já sob irrigação, a cultivar produz mais de 50 toneladas de silagem por hectare.

Maurício afirma que a silagem de trigo MGS Brilhante oferece algumas vantagens para os pecuaristas mineiros. De acordo com o pesquisador, a tecnologia é uma alternativa de produção de forragem na entressafra, com alto valor proteico e energético.

2004, 2021

Engenharia agrícola: geração de energia solar reduz conta de luz no campo

O sistema de geração de energia elétrica solar tem se tornado uma alternativa para o produtor reduzir a tarifa da conta de luz na propriedade rural. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil possui mais de 12 mil propriedades que geram a própria energia com usinas fotovoltaicas.

O Sítio Primavera, no município de Ervália, em Minas Gerais, é um exemplo. Desde 2018, a fazenda produz energia solar para manter as atividades de avicultura e cafeicultura.
“Além de reduzir o custo de energia, que é um dos gargalos da avicultura, o sistema fotovoltaico contribui para reduzir a dependência do represamento de águas”, afirma o produtor e proprietário do Sítio Primavera, Félix Santos (na foto mostrando um medidor).

O investimento todo ficou próximo de R$ 140 mil, entre equipamentos, inversores, mesas e instalações. As placas ocupam uma área de 200 metros quadrados e geram 4 mil quilowatts por mês, o suficiente para abastecer o aviário, a estrutura de pós-colheita do café e duas casas de funcionários.

No sistema fotovoltaico, a irradiação solar é transformada diretamente em energia elétrica. As placas desse sistema contêm células solares produzidas com material semicondutor. Quando os raios de sol atingem uma célula é gerada a energia.

Fonte: (CNA) Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil

804, 2021

Búfalas: pesquisa da USP mostra como melhorar o desempenho e aumentar a produção de leite

Uma técnica desenvolvida no núcleo de Pirassununga da Universidade de São Paulo (USP) mostra que é possível diminuir o intervalo entre gerações de búfalos de cinco anos para apenas um e elevar a qualidade genética do rebanho, com impacto positivo na produtividade de leite e de carne.

A experiência já tinha sido feita com as raças bovinas Nelore e Holandesa. Agora foi repetida com búfalas. Com um aparelho chamado laparoscópio, os pesquisadores retiram os ócitos de novilhas com apenas dois meses de idade, bem antes da fase normal de reprodução, e enviam o material para um laboratório parceiro responsável pela fecundação. Em seguida, o embrião é implantado em uma vaca adulta, como uma “barriga de aluguel”.

“Nós antecipamos a vida reprodutiva do animal; então uma bezerra com três meses conseguiu produzir os ócitos que foram fertilizados, se transformaram em embriões e foram transferidos sete dias depois”, explica o professor Flávio Meirelles, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA).

Segundo o pesquisador, “aos 13 meses, essa bezerra já é mãe, pois tem uma filha nascida”. E acrescenta:

“Ela pode ter uma nova geração em um ano e  pode estar produzindo em torno de três a quatro anos na sequência. Isso quer dizer o quê? Que você encurta o intervalo de geração e aumenta o ganho genético de uma maneira muito importante, pois você ganha quase três anos por geração”.

Fonte: USP

 

504, 2021

Avicultura: Katayama Alimentos lança linha de ovos orgânicos

Baseada em estudos do seu setor de pesquisas, A Katayama Alimentos resolveu ampliar sua linha de produtos com o lançamento de ovos orgânicos caipiras.  Segundo a empresa, o grande diferencial desse tipo dos ovos  está na alimentação das aves.

No sistema de produção da Katayma, as aves vivem em ambiente com livre acesso às áreas externas, podendo ciscar à vontade e expressar todos os seus comportamentos naturais; recebem apenas alimentação vegetal com ingredientes orgânicos e naturais, a fim de propiciar uma dieta saudável e equilibrada; e são tratadas com homeopatia, visando fortalecer a saúde dos animais e evitar a transmissão de resíduos químicos para os ovos.

As aves ainda são mantidas em galpões cobertos e climatizados para se recolherem à noite e quando quiserem durante o dia. Além disso, têm acesso livre à alimentação e água fresca, e liberdade para botar seus ovos em ninhos.

“Iniciarmos nosso projeto com uma oferta pequena e gradativamente vamos  ganhar espaço nas gôndolas dos clientes atuais e futuros”, diz Gilson Tadashi Katayama, diretor comercial do grupo Katayama. “Para a primeira fase do projeto, projetamos uma produção de cerca de 30 milhões de ovos orgânicos caipiras por ano”, destaca Gilson.

Os ovos orgânicos da empresa possuem o Selo Oficial Orgânico Brasil, atestado pelo IBD – Associação de Certificação Instituto Biodinâmico, e o Selo Certified Humane Brasil – Bem-Estar Animal, que garante que o alimento é oriundo de produtores que atendem exigências rigorosas de bem-estar animal.

 

Fonte: Katayama Alimentos

2603, 2021

Embrapa cria e usa com sucesso técnica rara de coleta de embriões de ovinos

A primeira coleta não cirúrgica de embriões da raça de ovinos Morada Nova realizada com sucesso ocorreu no núcleo Pecuária Sudeste da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O procedimento foi realizado em 36 doadoras.

De acordo com o pesquisador Jeferson Fonseca do núcleo Caprinos e Ovinos da Embrapa, em Sobral (CE), a técnica mundialmente utilizada para a coleta de embriões em ovinos é a cirúrgica. No entanto, com seu uso, há muitos riscos para o animal, como a ocorrência de sequelas.

A proposta da coleta embrionária não-cirúrgica transcervical em ovelhas é abolir a cirurgia. “A expectativa é ter suporte de conhecimento a respeito da eficiência e viabilidade da técnica de coleta embrionária não-cirúrgica transcervical em ovelhas de várias raças de interesse nacional. Os resultados podem consolidar o Brasil como referência mundial sobre produção in vivo de embriões ovinos recuperados por via não cirúrgica”, explica Fonseca.

“A técnica de coleta de embriões possibilita que uma doadora (melhor geneticamente) produza muito mais crias durante sua vida produtiva. Por exemplo, uma doadora pode, em média, gerar de cinco a seis embriões por coleta, que pode ser repetida mensalmente, no caso da via não cirúrgica. Ou seja, ela pode ser responsável por gerar cerca de 20 crias em um ano”, destaca o pesquisador do núcleo Caprinos e Ovinos da Embrapa.

Foto: Gisele Rosso 

2403, 2021

Nasce filha do primeiro clone de Gir Leiteiro da Embrapa Cerrados

A bezerra Florida do Cerrados, que nasceu no Centro de Tecnologias em Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) do núcleo Embrapa Cerrados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), não é um animal qualquer. Ela é filha da vaca Acácia do Cerrados, primeiro e único clone de Gir Leiteiro do programa de seleção da raça no CTZL, obtido pela técnica de transferência nuclear há três anos.

Com o uso da técnica, o animal  clonado foi obtido a partir de material genético da doadora (Acácia), o qual foi gestado por uma vaca receptora (barriga de aluguel).

Acácia foi inseminada artificialmente com sêmen convencional (não sexado) do touro Gir Leiteiro PH Uísque, um  animal premiado  do rebanho de Paulo Horta, criador no Distrito Federal. O touro já é falecido, mas o sêmen está disponível em uma central de inseminação.

“Tivemos sorte de ter nascido uma fêmea, já que as chances são de 50% para cada sexo quando se usa sêmen convencional”, afirmam os  pesquisadores do núcleo, que também chamam a atenção para a precocidade da mãe-clone: “A Acácia emprenhou com dois anos e três meses de idade. O normal para a raça Gir Leiteiro é que isso ocorra acima dos três anos explicam”.

Foto: Breno Lobato

1603, 2021

AgroMais entrevista Ezequiel Nólio, um dos primeiros criadores de gado leiteiro do Brasil a fazer uso de robôs para ordenhar vacas

Com propriedade (fazenda Tambo Nólio) no município de Pirai, no Rio Grande do Sul, Ezequiel Nólio iniciou sua criação com duas vacas e com o aumento do número de animais resolveu expandir seu negócio e, para isso, adquiriu dois robôs da empresa holandesa Lely, sediada no Brasil em Carambeí (PR).

A razão que levou o criador a tomar essa decisão resultou do fato de que Pirai sofre severa escassez de mão-de-obra, que inviabiliza a criação de gado,“Com a automação da Tambo Nólio e sem precisar de empregados consegui superar esse problema”, diz o criador.

“Hoje, acrescenta, “tenho 200 vacas, 120 das quais em lactação; todas têm suas necessidades atendidas pelos robôs; por exemplo, recebem ração e assistência sanitária (envolvendo principalmente a mastite, uma das doenças que mais prejuízos causam aos criadores)”.

Ezequiel Nólio produz mais oito litros por vaca e sua produção diária chega a 4.400, litros, a qual é fornecida à Cooperativa Santa Clara de Pirai.

Na aquisição dos dois robôs o criador aplicou dois milhões de reais, oriundos de empréstimos obtidos na rede bancária.

Para contato: https://www.youtube.com/watch?v=Xmkia_Mv2EA

Fonte: AgroMais

103, 2021

Universidade de Viçosa obtém nos Estados Unidos patente de vacina contra doença que ataca suínos

Uma vacina genuinamente brasileira, criada por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, para imunizar suínos contra o vírus PCV2, acaba de ser patenteada nos Estados Unidos. Esse vírus ataca granjas em todo o mundo, causando definhamento dos leitões e prejuízos aos produtores.

Até agora, as vacinas disponíveis no Brasil para prevenção das infecções são importadas e muito caras.

A vacina é fruto de mais de 15 anos de trabalho das equipes coordenadas pelos professores Márcia Rogéria de Almeida Lamêgo, do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, e Abelardo Silva Júnior, do Departamento de Veterinária (DVT). Os resultados obtidos nas provas de campo, em camundongos e suínos naturalmente infectados, mostraram que o protótipo desenvolvido tem eficiência superior às vacinas importadas disponíveis no mercado brasileiro.

O desenvolvimento da tecnologia vacinal do PCV2 foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O pedido de patente foi depositado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em nome da UFV e da Fapemig.

Fonte: UFV

2502, 2021

Estudo do Instituto de Pesca (IP) de São Paulo encurta criação de alevinos (filhotes) de salmão no Brasil

Pesquisa inédita do Instituto de Pesca (IP) de São Paulo possibilitou a geração de alevinos (filhotes) de salmão do Atlântico em dois anos – enquanto naturalmente são necessários quatro anos para a reprodução do peixe. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris como barriga de aluguel para produção do salmão, conforme indica um informe divulgado pela própria instituição.

A técnica permite acelerar o processo de melhoramento genético do salmão do Atlântico em até metade do tempo que seria necessário, levando em conta os métodos tradicionais.
A dificuldade de se produzir salmão no Brasil está na temperatura das águas dos rios. A pesquisadora Yara Aiko Tabata explica que os salmonídeos, que englobam os salmões e trutas, existentes no país são do tipo landlocked, ou seja, que fazem o ciclo de vida completo em água doce.

No caso da truta, o seu cultivo é mais difundido no Brasil, pois ela já se encontra aclimatada e apresenta bons índices reprodutivos em águas com temperatura de 10º a 12ºC. Já o salmão do Atlântico requer temperaturas mais baixas, ao redor de 8ºC.

Segundo os pesquisadores, para realizar o melhoramento genético das espécies são necessárias várias gerações. Considerando um processo de melhoramento de três gerações, e como o salmão leva cerca de quatro anos para atingir a idade reprodutiva, este processo levaria no mínimo 12 anos. Com a utilização da truta arco-íris como barriga de aluguel, é possível encurtar esse período pela metade.

Foto: Pixnio

2402, 2021

Unesp deposita no INPI patente de equipamento que permite obter altura ideal da pastagem para o gado

Essa prática agora se tornou possível graças a um equipamento criado pela UNESP (Universidade Estadual Paulista) que  automatiza a medição da altura da pastagem. A medição é feita por meio de ultrassom, dispensando assim técnicas manuais que fazem uso de régua ou trena.

Desenvolvido pelo zootecnista Leandro Coelho de Araújo, professor no Departamento de Biologia e Zootecnia, e pelo engenheiro mecânico Douglas Domingues Bueno, professor no Departamento de Matemática do núcleo Ilha Solteira da UNESP“, o equipamento é capaz de realizar dezenas de registros por minuto, cobrindo uma área muito maior e com muito mais precisão que a medição manual, permitindo uma maior eficiência de pastejo”,  explica Araújo.

“Essa busca pelo ótimo, acrescenta, é o que se chama hoje em dia de Zootecnia de Precisão: cada dia que você perde com os animais abaixo da sua eficiência de pastejo resulta em menor produtividade para o produtor”.

O equipamento (já patenteado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial-INPI) apresenta outra vantagem: é de pequeno porte e, por isso, pode ser acoplado a um drone, permitindo o registro e o cálculo da altura do capim de grandes áreas destinadas à pecuária.

Fonte: Unesp

1902, 2021

Embrapa cria protocolo para produzir carne que neutraliza emissões de gases

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram um protocolo a ser seguido por criadores de gado interessados em produzir carne neutralizando os impactos causados pelas emissões de gases causadores de efeito estufa, os GEEs. Considerada uma das fontes emissoras desses gases, especialmente por causa do gás metano gerado no processo de digestão dos bovinos, a pecuária é capaz de compensar suas emissões ao integrar a produção com o plantio de árvores e manejo adequado das pastagens, por exemplo.

De olho nessa solução, pesquisadores do núcleo Gado de Corte da Embrapa, em Mato Grosso do Sul, desenvolveram as diretrizes para compensar as emissões geradas no campo, baseando-se em pesquisas com medições e estimativas de emissão e absorção de carbono-equivalente envolvidas na pecuária.

O resultado foi o protocolo Carne Carbono Neutro (CCN), que tem como base os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, ou silvipastoris. “A Carne Carbono Neutro está baseada nesse protocolo, um conjunto de normas que devem ser seguidas pelos produtores e atestadas por uma certificadora credenciada pela Embrapa,” explica a pesquisadora  Fabiana Villa Alves.

A presença de árvores integradas ao sistema produtivo é uma das exigências do protocolo. O produtor pode optar por integrar a pecuária com floresta (IPF) ou ainda inserir lavoura no sistema, conhecido como ILPF ou integração lavoura-pecuária-floresta.

Foto: iStock

1702, 2021

Capins adaptados evitam desmatamento de 23 milhões de hectares na Amazônia

Capins (gramíneas) desenvolvidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) têm ajudado criadores de gado da Amazônia a manter a atividade pecuária produtiva mesmo em áreas com encharcamento, problema que causa a degradação e morte de pastagens na região.

Adaptados a solos com baixa capacidade de drenagem, esses capins apresentam boa resistência no pasto e elevada produção de forragem de qualidade, características que proporcionam vida longa às pastagens e aumentam a sua capacidade de suporte. Em criatórios do Acre, essas tecnologias mais que triplicaram a taxa de lotação do pasto, que subiu de uma para 3,6 unidades/animal por hectare, com ganhos para as famílias dos criadores e para o meio ambiente.

Esse aumento de produtividade evitou a abertura de novas áreas para a formação de pastagens. Estima-se que foram poupados 23 milhões de hectares de floresta, que não precisaram ser desmatados.

A pecuária bovina brasileira é praticada predominantemente a pasto. Segundo dados da Embrapa, entre 1985 e 2018, área de pastagens no país cresceu 43%, passando de 128 para 183 milhões de hectares. Estima-se que 70% dessa área, cerca de 130 milhões de hectares de pastagens, apresentem algum grau de degradação, situação que causa perdas na produção e prejuízos para os criadores, nas diferentes regiões.

Foto: Carlos Maurício de Andrade

2501, 2021

Santa Catarina investe na melhoria genética da produção de tilápias

A Secretaria de Agricultura, Pesca e de Desenvolvimento Rural de Santa Catarina vai investir R$ 1,3 milhão para dar continuidade à pesquisa de melhoramento genético da tilápia-do-nilo. O trabalho será executado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do estado (Epagri), em Itajaí.

“Esse projeto é uma demanda antiga dos piscicultores de Santa Catarina e pode ter um grande impacto no nosso agronegócio”, diz o secretário de Agricultura, Ricardo de Gouvêa, e acrescenta:
“O cultivo de tilápia vem crescendo no estado e nós já somos uma referência em tecnologia e qualidade de produção. Com a ampliação da pesquisa e o uso de novas técnicas de melhoramento genético poderemos ter ganhos ainda maiores na produção”.

A intenção é, através da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico, melhorar a produção e a produtividade da piscicultura catarinense e, como consequência, melhorar também a renda e a qualidade de vida dos produtores catarinenses.

O pesquisador da Epagri, Bruno Correa, explica que a pesquisa irá selecionar tilápias com maior crescimento e melhor desempenho nas condições de cultivo e clima de Santa Catarina. A partir dessa seleção serão formadas as matrizes, que serão disponibilizadas para os produtores de alevinos.

Foto: Epagri

2101, 2021

Tocantins tem o primeiro banco ativo de material genético de peixes nativos do Brasil

O núcleo  Pesca e Aquicultura da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) acaba de colocar em funcionamento, em Palmas, no estado do Tocantins, o primeiro Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de peixes nativos do Brasil, direcionado especificamente para dar suporte à aquicultura.

O plantel é formado por centenas de peixes vivos, além de um banco genético conservado em nitrogênio líquido e ultrafreezers a 80 graus negativos.

“O BAG inicia suas atividades conservando principalmente três espécies estratégicas para o setor aquícola: o tambaqui (foto), o pirarucu e a caranha, as quais serão mantidas in situ (vivas) e ex situ (por meio de material genético – sêmen preservado),” diz o pesquisador do  núcleo, Luiz Eduardo Lima de Freitas, coordenador do projeto.

Ele explica que o objetivo do BAG é apoiar a realização de pesquisas e desenvolvimento de tecnologias e inovações para a aquicultura nacional, além de iniciar a implantação de um banco de germoplasma para conservação das espécies nativas da região amazônica.

As novas instalações ocupam uma área aproximada de três hectares com 32 tanques escavados: 27 destinados à manutenção dos peixes, um para abastecimento dos viveiros, dois para recepção dos animais e duas unidades para tratamento de efluentes (resíduos) industriais.

Foto: Embrapa

1901, 2021

ABCZ registra primeiros clones da raça Gir

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) registrou os dois primeiros animais da raça Gir obtidos através da técnica de Transferência Nuclear, popularmente conhecida como clonagem. Os registros foram realizados na fazenda Brasília, localizada no município de São Pedro dos Ferros, em Minas Gerais.

Na oportunidade, foram registradas duas bezerras com pouco mais de 60 dias de idade, clones da matriz Lusíada, reconhecida campeã em pista e em torneios leiteiros. As bezerras (Lusíada de Brasília TN1 e Lusíada de Brasília TN2) foram registradas pelo técnico da ABCZ João Eudes Lafetá Queiroz. A empresa que produziu os clones foi a Cenatte.

Segundo Flávio Lisboa Perez, diretor administrativo da Fazenda Brasília, a matriz lusíada foi escolhida para doar material nuclear para dar origem aos clones por ser um dos maiores valores genéticos da fazenda Brasília, primeiro pela excelente produção e em segundo pelo fato de suas progênies (descendentes) terem superado as qualidades da matriz. “Esperamos que estes dois animais transmitam a seus descendentes as mesmas qualidades da lusíada”, diz Perez e acrescenta:

“Esta vaca é mãe de grandes matrizes Gir leiteiro, entre elas, Surpresa, Deusa, Estreia e União de Brasília, todas elas campeãs nas pistas de julgamento e em torneios leiteiros”.

Foto: Fazenda Brasília

Foto (Luzíada, mãe dos clones)

1801, 2021

Engenharia agrícola: surge novo kit de irrigação de pastagem por aspersão

Especializada no desenvolvimento, produção e comercialização de equipamentos de irrigação,  a NaanDanJain projetou e lançou no mercado um kit de irrigação de pastagem que oferece ao criador  ganho de produtividade e mais recursos com redução de custos.

Projetado no formato de kit para facilitar o transporte dos equipamentos, o produto é de fácil montagem e não exige a abertura de valetas. A novidade apresenta outra vantagem: pode ser utilizada a noite, gerando economia de energia elétrica. Ela tem baixo consumo de energia (2,5 CV por hectare), segundo a empresa.

A irrigação por aspersão consiste na reposição de água ao solo de forma controlada e uniforme em quantidades suficientes para as pastagens, para que alcancem o máximo de produtividade.

O kit foi um dos destaques da edição 2019 da Agrishow, uma das maiores feiras de agronegócio do mundo, realizada anualmente em São Paulo.

Foto: Divulgação

1501, 2021

Unesp cria sistema para geração de energia com resíduos da criação de frango

Resíduos de frango que seriam descartados por granjas podem ser utilizados para gerar energia elétrica por meio da produção de biogás. Um equipamento desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em São Paulo, separa os dejetos em partes líquidas e sólidas, melhorando o desempenho dos biodigestores.

“A proposta é transformar a criação de animais em sistemas sustentáveis de produção”, declarou o pesquisador Airon Magno Aires, que desenvolveu o equipamento durante sua tese de doutorado em zootecnia na Unesp.

Segundo Aires, o produtor de frangos de corte necessita, em média, de 26,5 quilowatt-hora de potência por cada galpão da granja. Com esse invento, um galpão de frangos de corte pode gerar 65.250 metros cúbicos de biogás, os quais podem ser convertidos em 110,1 megawatts de energia.

As granjas também costumam utilizar lenha para aquecer os galpões durante os primeiros 15 dias de vida das aves. “Com a substituição da energia da lenha pela do biogás, a redução de gases de efeito estufa pode chegar a 8 toneladas de gás carbônico equivalente ao ano por galpão”, destaca.

A geração de biogás ocorre pela utilização de micro-organismos para degradação da matéria orgânica contida nos resíduos. Esse processo gera um composto de gases que pode ser convertido em energia. De acordo com o pesquisador, a novidade desse trabalho é que, antes de colocar os dejetos no biodigestor, é feito um pré-processamento, separando-os em líquido e sólido

Foto: Unesp

2312, 2020

Ração com erva-mate para boi melhora qualidade da carne

Misturar uma pequena quantidade de extrato de erva-mate à ração do gado de corte pode ser suficiente para produzir uma carne com mais benefícios à saúde, mais agradável ao paladar e com maior prazo de validade.

Essa foi a conclusão a que chegaram pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Copenhague (capital da Dinamarca) dentro de um projeto que durou três anos.

Na pesquisa, os efeitos do consumo do mate foram estudados em um plantel de cerca de 50 cabeças de gado, que receberam um extrato da erva em proporções de 0,25% a 1,5% do total de sua ração.

Segundo os pesquisadores, fixou constado que não houve mudança no peso dos animais; além disso, verificaram, através de teste sensorial feito com cem pessoas, que a carne se tornou mais macia.

Além da USP e da Universidade de Copenhague, participaram do projeto a Empresa Brasileira de Pesquisa Agopecuária (Embrapa) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Foto: Divulgação

2212, 2020

Esalq desenvolve programa de computador (software) para diminuir custos com rações

Pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), ligada à Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram um sistema capaz de minimizar os custos com a ração bovina.

O programa foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e de uma parceria da Esalq com a Universidade Cornell, situada em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Para utilizar o RLM, o usuário insere informações sobre as características de seu rebanho, citando raça, sexo e peso do animal, dentre outras. Com base nestes dados, o software utiliza alimentos cadastrados em sua biblioteca e informa qual método ideal de disponibilização das rações com baixos custos.

Há também a possibilidade de o usuário do RLM adicionar ao programa outros alimentos que não constam na biblioteca original do software.

O RLM destina-se a fabricantes de rações, consultorias e empresas de assistência técnica ligadas aos criadores de bovinos.

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