Ciência e Tecnologia

Por Adeildo Lopes Cavalcante

Ciência e Tecnologia2020-05-27T13:29:02-03:00
3011, 2020

Professoras da Universidade de Viçosa desenvolvem tecnologia que recupera importante proteína do leite

A tecnologia, já patenteada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), permite recuperar uma importante proteína do soro do leite (foto), capaz de reduzir desordens estomacais, secreção gástrica e inibir placas bacterianas e de cáries dentárias.

Ela foi desenvolvida pelas professoras e pesquisadoras Rita de Cássia Superbi de Sousa e Jane Sélia dos Reis Coimbra da Universidade Federal de Viçosa (UFV), localizada na cidade do mesmo nome na zona da mata de Minas Gerais.

A tecnologia viabiliza, por meio da utilização da resina hidroxiapatita, que a indústria de laticínios recupere o glicomacropeptídeo (proteína), conhecido como GMP e presente no soro leite.
De acordo com as professoras, atualmente um grande volume de soro de leite é descartado por indústrias de laticínios.

“No entanto” explicam, “esse soro é rico em proteínas de altos valores nutricional, funcional e tecnológico. Dentre elas está o GMP, que é usado na regulação do apetite, tratamento de cáries, alimentação para pacientes fenilcetonúricos (doença relacionada a uma alteração genética rara), entre outras aplicações”.

Além de recuperar os benefícios do GMP, a tecnologia desenvolvida na UFV pode contribuir ainda com o meio ambiente. Como afirmam as professoras, o soro do leite também é altamente poluente quando descartado incorretamente.

2311, 2020

Criador de Mato Grosso do Sul produz bezerro que “salta” direto da cria para o abate

O criador de gado de corte (Nelore) de Mato Grosso do Sul, Rubens Catenacci, proprietário da Fazenda 3R, no município de Figueirão naquele estado, vem desenvolvendo um sistema inédito no Brasil de produção de bezerros super precoces, que lhe permite comercializar com oito meses um animal com média de 300 quilos.
Esse peso, em uma criação a pasto, seria atingido com o mínimo de 18 meses.

O sistema consiste no emprego de reprodutores de alto padrão genético e numa alimentação que reúne pasto e uma ração fabricada pela empresa Agroceres Genética e Nutrição Animal.

O bezerro super precoce da 3R pode tanto seguir direto para o abate ou ainda ir para a engorda em sistema de confinamento para, após um período de quatro a seis meses de engorda, atingir o peso de boi gordo, em torno de 450 quilos, e seguir para o abate.

Em qualquer um dos casos, uma etapa da pecuária convencional, a recria, quando o animal após ser desmamado, ganha peso nas pastagens e com suplementação (à base de ração), é eliminada do processo, encurtando o ciclo de produção para o boi gordo em pelo menos dez meses.

“Desse modo aumenta-se a produtividade do rebanho, a rentabilidade do produtor, a disponibilidade do produto e ainda a qualidade da carne produzida”, diz o criador Rubens Catenacci.

 

Foto: Fazenda 3 R

1811, 2020

Marfrig lança linha de carne carbono neutro em parceria com a Embrapa

A Marfrig e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançaram uma nova linha de carne bovina que recebeu o nome de marca Viva.

Desenvolvida pela Embrapa, trata-se de uma linha denominada de carne carbono neutro, oriunda  de gado criado em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF).

Para desenvolver a marca Viva – que dá nome a diferentes cortes de carne bovina para grelha e dia a dia – a Marfrig investiu cerca de 10 milhões de reais.

A linha será comercializada de forma exclusiva em 10 lojas selecionadas do grupo Pão de Açúcar na cidade de São Paulo, e posteriormente em todo o país.

Segundo a Embrapa, “os produtos da linha Viva são provenientes de animais criados em um sistema de produção pecuária-floresta, que neutraliza as emissões de metano dentro de um protocolo desenvolvido por aquela empresa”.

“Essa compensação”, de acordo com a Embrapa, “é assegurada a partir da certificação e verificação por auditorias independentes. Além disso, o protocolo garante produtos diferenciados e de alta qualidade, bem como todos os preceitos de bem-estar animal atendidos dentro do sistema de produção”

Foto: Marfrig/Divulgação

2210, 2020

Minas Gerais passa a contar com Centro de Referência em Piscicultura Ornamental de Água Doce

 

Instalado no Campo Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), no município de Leopoldina, na Zona da Mata de Minas de Gerais, o centro é resultado de uma parceria entre a Epamig, Universidade Federal de Ouro Preto, em Minas Gerais, e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O centro tem como objetivo gerar informações para a melhoria do desempenho técnico, ambiental e econômico da atividade no estado.

E vai atender piscicultores de oito municípios produtores da Zona da Mata Mineira (Barão do Monte Alto, Eugenópolis, Miradouro, Muriaé, Patrocínio do Muriaé, Rosário da Limeira, São Francisco do Glória e Vieiras).

Essa região, segundo a Epamig, tem se consolidado como polo produtor de peixes ornamentais.

A criação de peixes ornamentais popularizou-se na Zona da Mata Mineira como uma alternativa de renda para famílias de áreas rurais.  Além do clima favorável, da grande disponibilidade de água e da proximidade com os grandes centros, a região tem atraído um grande número de produtores, principalmente familiares, devido à vantagem de ser uma atividade barata e de rápido retorno financeiro.

Atualmente, cerca de 12 milhões de unidades de peixes ornamentais são comercializadas em Minas Gerais. Estima-se que mais de 100 de espécies são cultivadas em diferentes sistemas de produção, com destaque para aquelas que necessitam de pouca técnica de manejo e que são, em geral, muito prolíferas (que se reproduzem com rapidez), tais como betta, espada, platy, molinésia, tricogaster e colisa.

Foto: Epami

2110, 2020

Avicultura: Katayama Alimentos lança linha de ovos orgânicos

 

Baseada em estudos do seu setor de pesquisas, A Katayama Alimentos resolveu ampliar sua linha de produtos com o lançamento de ovos orgânicos caipiras.  Segundo a empresa, o grande diferencial desse tipo dos ovos está na alimentação das aves.

No sistema de produção da Katayma, as aves vivem em ambiente com livre acesso às áreas externas, podendo ciscar à vontade e expressar todos os seus comportamentos naturais; recebem apenas alimentação vegetal com ingredientes orgânicos e naturais, a fim de propiciar uma dieta saudável e equilibrada; e são tratadas com homeopatia, visando fortalecer a saúde dos animais e evitar a transmissão de resíduos químicos para os ovos.

As aves ainda são mantidas em galpões cobertos e climatizados para se recolherem à noite e, quando quiserem, durante o dia. Além disso, têm acesso livre à alimentação e água fresca, e liberdade para botar seus ovos em ninhos.

“Iniciarmos nosso projeto com uma oferta pequena e gradativamente vamos ganhar espaço nas gôndolas dos clientes atuais e futuros”, diz Gilson Tadashi Katayama, diretor comercial do grupo Katayama. “Para a primeira fase do projeto, projetamos uma produção de cerca de 30 milhões de ovos orgânicos caipiras por ano”, destaca Gilson.

Os ovos orgânicos da empresa possuem o Selo Oficial Orgânico Brasil, atestado Xipelo IBD – Associação de Certificação Instituto Biodinâmico, e o Selo Certified Humane Brasil – Bem-Estar Animal, que garante que o alimento é oriundo de produtores que atendem exigências rigorosas de bem-estar animal.

Fonte: Katayama Alimentos

1910, 2020

Embrapa desenvolve aplicador de herbicida para controle de plantas nocivas à pastagem do gado

O equipamento foi desenvolvido pelo núcleo Pecuária do Sul da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e tem por fim controlar as plantas que prejudicam o desenvolvimento de capins destinados à alimentação do gado.

Com a aplicação de herbicida (produto químico) é possível preservar os capins, dificultando a reinfestação por plantas invasoras nocivas à pastagem, cujas sementes ficam armazenadas no solo.

Devido à diferença de altura que se estabelece entre os capins consumidos pelo gado e as plantas indesejáveis, que assumem uma maior altura, somente estas entram em contato com os aplicadores de herbicida do equipamento.

O uso da tecnologia proporciona duas vantagens: incremento da produtividade e redução de custos.

Quanto ao incremento da produtividade, ocorre maior ganho de peso vivo/bovino por hectare, em razão da tecnologia atuar diretamente sobre a melhoria da oferta de forragem para o rebanho, com reflexo direto no maior ganho de peso.

Quanto à redução de custos, a economia de combustível se situa em um percentual entre 35 e 50%, quando comparada com a prática da roçada.

Foto: Kéke Barcellos

1510, 2020

Embrapa cria material (de ração e de tecido de peixe) que beneficia indústria do pescado

 

A qualidade da carne de tilápia e da ração oferecida a peixes cultivados no Brasil poderá ser aferida com mais exatidão a partir de materiais de referência para laboratórios produzidos no núcleo Pecuária Sudeste da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em São Carlos (SP).

Segundo a empresa, esses materiais devem auxiliar os laboratórios a fornecer dados confiáveis para facilitar a aplicação da legislação brasileira sobre os limites máximos de contaminantes inorgânicos em alimentos e favorecer as exportações da indústria do pescado.

A pesquisa que resultou na criação dos dois materiais – de ração e de tecido de peixe – foi tema da tese de doutorado em química analítica de Mayumi Silva Kawamoto, defendida na Universidade de São Paulo. Ela foi orientada pela pesquisadora Ana Rita Nogueira, do núcleo Pecuária Sudeste da Embrapa.

Tanto a ração quanto o tecido de peixe foram fornecidos por produtores comerciais. Os pellets da ração foram doados pelo grupo Matsuda e os filés de peixe pelos grupos Ambar Amaral e Netuno. A doação foi intermediada pela PeixeBR (Associação Brasileira de Piscicultura).

Os resultados fazem parte do BRS Aqua, o maior projeto de pesquisa em aquicultura já desenvolvido no país. A iniciativa envolve mais de 20 centros de pesquisa da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros da ordem de quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico do Banco Nacional de Desenvolvimento, R$ 6 milhões da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República e, como contrapartida, R$ 6 milhões da própria Embrapa.

Fonte: Embrapa

1410, 2020

Empresa cria “Uber do Boi” para transportar gado de corte no Brasil

 

A JBS Transportadora criou e lançou um aplicativo (programa de computador) para contratação digital de transporte de bovinos de corte. Batizado de Uboi (foto), ele foi projetado para uso em transações entre criadores que tenham negociado animais para engorda e abate ou recria de bezerros.

Segundo a empresa, o aplicativo permite agendar o frete ao melhor custo possível com monitoramento em tempo real da viagem dos animais até o destino contratado.

Inicialmente, o serviço estará disponível só para as regiões de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte do Mato Grosso. A meta é estender seu uso para os demais estados até o fim de 2020.
“A ideia é que o pecuarista de qualquer tamanho de propriedade e perfil de animais possa ter acesso a nossa cadeia de transporte”, explica Ricardo Gelain, diretor da JBS Transportadora. Ele destaca que, a partir do aplicativo, a empresa buscará alavancar sua presença nas transações envolvendo animais para reprodução, recria e engorda.

Além da contratação por criadores, o programa também permitirá o cadastro de caminhoneiros autônomos interessados em atender o setor, De acordo com Gelain, os motoristas deverão seguir padrões técnicos exigidos pela empresa, como certificação em bem-estar animal e idade da frota.

Foto: JBS/Divulgação

2309, 2020

FZEA desenvolve mortadela mais saudável com óleo de soja

A substituição da gordura animal por vegetal na fabricação de mortadelas torna este embutido mais saudável para os consumidores. Na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, pesquisadores obtiveram êxito no desenvolvimento de uma mortadela que contém óleo de soja em substituição à gordura suína.

“Além dos benefícios nutricionais, verificamos que a substituição da gordura suína por óleo de soja não prejudicou aspectos tecnológicos importantes, como rendimento, textura e a estabilidade microbiológica (vida de prateleira)”, diz o coordenador do estudo, o professor Marco Antônio Trindade, da FZEA.

Trindade explica que as mortadelas são comumente fabricadas a partir da mistura de carnes (suína ou bovina) e de gordura suína. Elas são misturadas, trituradas, formando uma emulsão (massa lisa). Posteriormente são adicionados pedaços inteiros de gordura suína que caracterizam a mortadela. O teor de gordura e proteína gira entre 12% e 15%.

“Algumas marcas já oferecem mortadela sem essa gordura aparente”, lembra Trindade. “O produto desenvolvido nos Laboratórios do Departamento de Engenharia de Alimentos da FZEA não tem essa gordura aparente, mas apresenta o mesmo teor de gordura e proteínas das mortadelas comerciais”, informa o professor.

Fonte: USP

2109, 2020

Instituto Biológico de São Paulo passa a oferecer diagnóstico de anemia infecciosa equina (AIE)

Por decisão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 18 de junho de 2020, o Instituto Biológico de São Paulo (IB) passa a oferecer mais um tipo de diagnóstico ao criador de cavalos: o exame de anemia infecciosa equina (AIE).

Pela decisão do MAPA o Laboratório de Bacteriologia Geral do IB está habilitado a realizar todos os diagnósticos obrigatórios para o trânsito estadual e interestadual de cavalos, os quais envolvem os exames de AIE e mormo.

De acordo com a pesquisadora do IB, Alessandra Nassar, o instituto está autorizado pelo MAPA a realizar o diagnóstico da AIE e do mormo pela técnica ELISA.
“A anemia infecciosa equina é uma doença causada por vírus e é transmitida por insetos hematófagos, como as moscas dos estábulos ou pela mosca dos cavalos”, diz Alessandra e esclarece:
A transmissão também pode ocorrer por compartilhamento de agulhas, seringas, esporas, arreios ou outros utensílios contaminados com sangue de animal infectado. Para o trânsito desses animais, o criador precisa do diagnóstico negativo”, explica.

Segundo a pesquisadora, nem todos os cavalos contaminados com o vírus da anemia infecciosa são sintomáticos. Os sintomas podem ser: apatia, febre, anemia, inchaço de membros, hemorragias, baixo rendimento no esporte e diminuição do apetite.

“A maioria dos animais são assintomáticos, portadores da doença, e que vão disseminar o vírus para os outros animais; daí a importância da realização dos exames diagnósticos”, diz a pesquisadora e conclui:
“Caso seja identificado que o cavalo está contaminado, ele precisa ser isolado e posteriormente sacrificado. Não há tratamento para a doença, que é considerada fatal” afirma.

Fonte: IB (SP)

1709, 2020

Novidade: UFV cria tecnologia para produção de medicamentos para cavalos

A Universidade Federal de Viçosa, localizada na cidade do mesmo nome na zona da mata de Minas Gerais, desenvolveu uma tecnologia para produção de medicamentos para cavalos, a qual já foi patenteada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão ligado  à Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia.

A tecnologia patenteada é um processo para obtenção de composições farmacêuticas à base de extratos de Baccharis dracunculifolia (alecrim do campo) para preparação de agentes terapêuticos para controle e tratamento da Herpevírus Equino (EHV-1, doença que gera prejuízos consideráveis aos criadores de cavalos do país.

De acordo com a UFV, “com a obtenção da patente, o próximo passo será buscar parceiros interessados em utilizar comercialmente a tecnologia para formulação de medicamentos para o tratamento de animais infectados pelo vírus”. E acrescenta. “Com este documento, a UFV também pode impedir o uso, produção, venda e importação do produto obtido diretamente do processo patenteado”.

O EHV-1) é um vírus capaz de causar perdas econômicas significativas aos plantéis de cavalos. Ele tem sido identificado como a causa de abortamentos, mortalidade neonatal, doença respiratória e manifestações neurológicas nos animais.

Das 14 espécies de herpesvírus que afetam os cavalos, as mais importantes são o EHV-1 e o EHV-4. Segundo os pesquisadores, o EHV-1 encontra-se presente na população cavalos no Brasil e, até o momento, não existem estudos sobre a ocorrência de outros tipos de herpesvírus que afetam esses animais no país.

Fonte: UFV

1409, 2020

Saúde animal: pesquisa aponta deficiência no manejo de vacinação em bezerras

A eficiência da vacina contra clostridioses (doenças que mais causam a morte de bovinos no país), aplicada nos primeiros meses de vida dos bezerros, está sendo prejudicada devido a uma prática de manejo comum entre os produtores de leite: a aplicação de várias vacinas ao mesmo tempo.

Essa conclusão consta da dissertação (trabalho escrito) de mestrado em Zootecnia apresentada à Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e que teve por base pesquisas realizadas no núcleo Gado de Leite da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O estudante de mestrado Hilton Diniz e a equipe de pesquisadores verificaram interferência na resposta dos animais à vacinação contra brucelose e clostridioses, quando aplicadas simultaneamente.

De acordo com Diniz, “a vacinação simultânea resulta em decréscimo significativo na quantidade de anticorpos contra doenças causadas por bactérias do gênero Clostridium”. Para ele, “isso pode resultar em bovinos não protegidos contra essas afecções nas propriedades leiteiras”.

O mesmo estudo demonstrou que a vacina contra brucelose não sofreu qualquer interferência na resposta imunológica, permanecendo eficaz.

Segundo a professora da UFMG, Sandra Gesteira Coelho, orientadora de Diniz nas pesquisas, a iniciativa para realização desse trabalho se deu a partir de alguns relatos de produtores de leite. “Quando visitamos fazendas, em várias regiões do Brasil, os produtores questionam a vacinação dos animais”, diz Sandra. De acordo com os produtores, a vacinação costuma impactar negativamente no desempenho e saúde dos bovinos. “Isso tem feito com que algumas fazendas não realizem a vacinação”.

Para a professora, situações como essa contribuem para “desacreditar” as vacinas.

Foto: Rubens Neiva

209, 2020

Pesquisa inédita sobre ovinocultura leiteira revela que vale a pena investir nessa atividade

A pesquisa foi desenvolvida pela médica veterinária Fernanda Ferreira Santos e com ela a autora obteve o título de Mestre em Ciências na Universidade de São Paulo, através da  Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) (núcleo de Pirassununga).

O estudo teve por fim caracterizar o sistema agroindustrial da ovinocultura, mostrar quem são e onde estão os produtores e levantar as principais características da produção de derivados lácteos de ovelha.

Para isso, a pesquisadora fez um levantamento com todos os produtores brasileiros de leite de ovelha a partir de dados da Associação Brasileira de Ovinocultura Leiteira e da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos. Fernanda identificou 18 produtores, sendo seis no Sudeste (três em Minas Gerais, dois no Rio de Janeiro e um em São Paulo); um no Centro-Oeste (Brasília, no Distrito Federal); e 11 no Sul (sete no Rio Grande do Sul, três em Santa Catarina e um no Paraná).

A principal raça utilizada foi a Lacaune, originária da região do mesmo nome na França e ideal para produção leiteira.

“Percebemos que se trata de uma cadeia curta, ou seja, produtor e consumidor estão muito próximos”, explica Fernanda. E prossegue:  “O leite de ovelha não é consumido in natura pois é bem mais gorduroso que o de vaca. Por isso, O foco é a produção de derivados lácteos, como iogurtes e queijos variados, sendo que os produtores analisados têm marcas próprias. Já os sete produtores do Rio Grande do Sul vendem para uma cooperativa com marca própria”.

De acordo com o estudo, “o Sul do Brasil é o principal produtor e consumidor, mas há demanda em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Por outro lado, os 18 produtores que participaram do estudo também obtêm lucro com a venda de ovinos machos, que são abatidos e abastecem o mercado de carne de ovinos”.

“Já a  produção dos queijos”, finaliza a autora, “é semelhante à da pecuária: desde muçarela, ricota, queijos frescos, gouda,  até os mais maturados, como o pecorino de 30 e 60 dias de maturação, entre outros”.

Fonte: USP

3108, 2020

Queijo prato com novo corante pode prevenir doenças dos olhos, como catarata

Pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), conseguiram, com sucesso, substituir o urucum, tradicional corante usado na produção do queijo prato, por luteína, um corante com propriedades antioxidantes que ajuda na prevenção de doenças dos olhos.

Entre essas doenças destacam-se a catarata e a degeneração macular, as quais  podem causar perda da visão.

A pesquisa que resultou no queijo foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). Durante três anos, os pesquisadores fabricaram o queijo prato com luteína e realizaram análises para verificar o grau de absorção da substância no queijo, a composição e a textura e comprovaram que a luteína não altera as características do produto final, como cor e sabor.

A luteína, extraída de flores da calêndula, é dotada de pigmentação amarela e não é sintetizada pelo organismo humano;  por isso,  é necessário que seja suprido por meio de alimentos que  possuem aquela substância, como milho, laranja e abóbora.

Fonte: Epamig.

2808, 2020

Curraleiro Pé-Duro: pecuária de corte ganha bovino com sangue de raça brasileira

A novidade é fruto de um cruzamento entre touros da raça brasileira Curraleiro Pé-Duro e vacas da raça Nelore (de origem indiana). O animal resulta de seis anos de pesquisas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa e a Universidade Federal do Piauí (UFPI) com recursos próprios das duas instituições.

O novo bovino, criado em pastagens nativas, é mais precoce que o Nelore, pois vai mais cedo para o abate, com apenas dois anos de idade e pesando 45 quilos de carne a mais que o Nelore criado em pastagem cultivada.

Já o Nelore é mais tardio, estando em ponto de abate aos três anos de idade. Se for preparado para o abate em regime de confinamento, o período é reduzido em até seis meses, aumentando ainda mais o peso.

As pesquisas indicaram que o novo mestiço produz 20 quilos de carne macia por 100 quilos de músculo na carcaça. Em comparação com o Nelore, o estudo revela que este animal produz apenas 16 quilos.

Segundo o pesquisador Geraldo Magela Côrtes Carvalho, coordenador das pesquisas, o mestiço pé-duro adapta-se ao ambiente tropical de quase todas as regiões do Brasil (calor, escassez de água e pastagens nativas), sendo ainda resistente a parasitas como verminoses, carrapatos, bernes e mosca-do-chifre”. E acrescenta:

“Na alimentação, ele aceita muito bem os capins  e leguminosas (plantas com vagens) nativos;  cactos e arbustos. Enquanto isso, o bovino Nelore, raça trazida da Índia e já consagrada como grande produtora de carne, requer uma alimentação à base de pastagens artificiais”.

Foto: Fernando Sinimbu.

2608, 2020

UEL desenvolve técnica que identifica com rapidez fraudes em produtos cárneos

Em menos de um minuto de análise é possível identificar alterações em carnes processadas, como a linguiça frescal de suíno. Essa conclusão resulta do projeto de pesquisa “Identificação e caracterização de fraudes em produtos cárneos”, recém-concluído pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no norte do Paraná.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão com o uso de um método desenvolvido em equipamento de infravermelho, o qual  revela o que não é visível pelo olho humano, como, por exemplo, detalhes de uma linguiça adulterada.

O método teve por base a técnica Espectroscopia no infravermelho próximo (Near Infrared Spectroscopy-NIRS, em inglês )

Segundo professor Rafael Humberto de Carvalho, do Departamento de Zootecnia da UEL, “o projeto analisou 135 amostras de linguiça frescal, que foram adulteradas propositalmente com carne de cabeça de suíno, em variadas quantidades”.

“Para a análise das amostras”, explica. “os pesquisadores desenvolveram uma curva padrão da linguiça não adulterada. Foi identificado que as amostras com curvas diferentes da considerada modelo, estavam realmente adulteradas, o que mostra a eficiência do estudo”.

Fonte: Universidade de Londrina (PR)

2408, 2020

Embrapa cria tecnologia simples e acessível para avaliação de cobertura de gordura em bovino

O Brasil é o segundo maior produtor e maior exportador mundial de carne bovina. Entretanto, estima-se que apenas 15% dos animais enviados para abate apresentam carcaças que atingem o padrão de qualidade na indústria frigorífica. Em vista  disso, o núcleo  Rondônia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu um dispositivo prático e de fácil acesso, em que o próprio produtor pode avaliar, de forma rápida e precisa, o acabamento da carcaça dos bovinos destinados ao abate, ou seja, a espessura de gordura, uma das principais características relacionadas à qualidade da carne bovina.

A nova tecnologia recebeu o nome de SagaBov (Sistema de Avaliação do Grau de Acabamento Bovino) e consiste em duas hastes articuladas que, ao serem encostadas da garupa formam um ângulo que indica se o animal está magro, com gordura adequada para o abate ou com excesso de gordura. Esse dispositivo foi baseado em outra régua desenvolvida também pela Embrapa Rondônia para avaliar a condição corporal do rebanho, chamada Vetscore.

Não há no mercado nenhum instrumento similar para esse tipo de avaliação. Para o envio de animais para o abate, o produtor costuma fazer uma avaliação visual. Entretanto, ela é subjetiva e gera conflitos com os resultados recebidos do romaneio (documento emitido pelo frigorífico indicando o peso e valorização da carcaça, por exemplo). Outra opção é a ultrassonografia, à qual poucos produtores têm acesso, pois o custo é relativamente alto (cerca de R$15,00 por animal).

De acordo com o pesquisador da Embrapa Rondônia e inventor do SagaBov, Luiz Pfeifer, a simplicidade e a eficiência da tecnologia fazem dela uma aliada tanto do pecuarista quanto da indústria frigorífica. “O uso dessa ferramenta pode beneficiar todos os elos da cadeia da carne. Com a avaliação e seleção de animais adequados para o abate, a indústria terá aumento do rendimento de carcaça, o produtor acesso aos programas de bonificação e o consumidor, maior qualidade de carne disponível no varejo”, explica.

Foto: Renata Silva

408, 2020

Ceva Saúde Animal lança produto que torna mais eficiente a transferência de embriões em equinos

Trata-se, segundo a empresa, que atua, principalmente, no ramo de medicamentos para equinos, de  um hormônio (Fertcor) que auxilia na sincronização do cio de éguas doadoras e receptoras de embriões, aumentando a eficiência reprodutiva dos animais.

”O Fertcor, produto composto pelo hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG, na sigla em inglês),  é uma solução eficaz e certeira para a transferência de embriões em equinos, pois nessa tecnologia se exige a sincronização da ovulação das fêmeas envolvidas”, diz a gerente da linha produtos para equinos da Ceva, Baity Leal. E acrescenta:

“Após a ovulação e a inseminação, o embrião produzido em uma égua doadora é retirado e implantado em uma receptora que esteja no mesmo período do ciclo que a doadora; daí a importância da sincronização”.

“Bons resultados de uma transferência de embrião dependem do momento exato para a inseminação, principalmente quando se trata de sêmen congelado, pois o  veterinário não pode perder a ovulação da égua doadora”, esclarece  Baity, que é  veterinária e mestre nessa disciplina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

“O Fertcor proporciona mais segurança na ovulação na tecnologia de transferência de embriões”, diz a gerente da empresa e finaliza:

“Após a aplicação nas éguas, o Fertcor promove a ovulação entre 36 a 42 horas, de forma mais rápida e precisa que outros métodos de indução do cio, que, em geral, ocorrem 42 horas depois do uso do produto”.

Fonte: Agência de Noticias Quilombo

3007, 2020

MSD Saúde Animal lança vacina para controle de doença que afeta tilápia

Com essa iniciativa da MSD Saúde Animal, os produtores de tilápia – peixe de água doce mais produzido e comercializado no Brasil – passaram a contar com uma vacina (Aquavac Strep As) para controle da  Estreptococose, doença que afeta, nos criatórios, de 15% a 30% desse tipo de peixe. causando elevada taxa de mortalidade.

A enfermidade, causada pela bactéria  Streptococcus agalactiae Biotipo 2, é  mais incidente nos animais adultos e seus principais sintomas são exoftalmia (olho saltado), ascite (barriga inchada), encefalite (nado em rodopio) e lesões na cauda.

“O lançamento da vacina  vem para suprir uma necessidade do mercado  brasileiro, já que o combate à Estreptococose é pouco eficaz com a utilização de rações medicadas, principalmente quando a doença  é diagnosticada tardiamente”, diz o gerente de Mercado de Aquicultura da MSD Saúde Animal, Rodrigo Zanolo.  E acrescenta:

O  medicamento pode incrementar em até 15% a sobrevivência da criação e trazer melhoras no desempenho dos animais, com  alto retorno financeiro para o criador, além da redução do uso de antibióticos”.

Fonte: MSD Saúde Animal

2807, 2020

Geração de energia solar reduz conta de luz no campo, mostra estudo da CNA

“O sistema de geração de energia elétrica solar tem se tornado uma alternativa para o produtor reduzir a tarifa da conta de luz na propriedade rural”, diz estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). órgão que representa os interesses dos produtores rurais  brasileiros.

Citando dados  da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a CNA informa que o Brasil possui mais de 12 mil propriedades que geram a própria energia com usinas fotovoltaicas (grande parte delas são do setor de criação de animais,  entre eles a avicultura).

O sítio Primavera, no município de Ervália, na zona da mata de Minas Gerais, é um exemplo. Desde 2018, a propriedade produz energia solar para manter as atividades de avicultura e cafeicultura.

“Além de reduzir o custo de energia, que é um dos obstáculos ao bom desenvolvimento da avicultura, o sistema fotovoltaico contribui para reduzir a dependência do represamento de águas”, diz o produtor e proprietário do sítio, Félix Santos.

O investimento todo, segundo a CNA,  ficou próximo de R$ 140 mil, entre equipamentos, inversores, mesas e instalações. As placas ocupam uma área de 200 metros quadrados e geram quatro mil quilowatts por mês, o suficiente para abastecer o aviário, a estrutura de pós-colheita do café e duas casas de funcionários.

No sistema fotovoltaico, a irradiação solar é transformada diretamente em energia elétrica. As placas desse sistema contêm células solares produzidas com material semicondutor. Quando os raios de sol atingem uma célula é gerada a energia.

Fonte: CNA

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