Integração entre programas vacinais, monitoramento sanitário e biosseguridade como fundamentais para a competitividade da avicultura brasileira

A Doença de Newcastle continua entre os principais desafios sanitários da avicultura mundial. Após recuperar, em 2024, o reconhecimento internacional de país livre da Doença de Newcastle de alta patogenicidade em aves comerciais, o Brasil reafirmou a solidez de seu sistema de defesa agropecuária. Manter esse status, no entanto, exige vigilância contínua e uma estratégia preventiva capaz de reduzir riscos sanitários e preservar a confiança dos mercados na avicultura brasileira.

A doença, causada por um vírus da família Paramyxoviridae, compromete principalmente os sistemas respiratório, digestivo e nervoso das aves. Entre os principais sinais clínicos estão tosse, espirros, diarreia, torcicolo, paralisias e queda na produção de ovos, podendo evoluir para altas taxas de mortalidade em quadros mais graves. Além dos impactos na saúde animal, surtos da enfermidade representam prejuízos econômicos expressivos para a avicultura, devido à redução da produtividade, ao aumento dos custos com controle sanitário e, em determinadas situações, à necessidade de abate sanitário.

Diante disso, a relevância da sanidade animal torna-se ainda mais evidente com o resultado do desempenho da avicultura brasileira no mercado internacional. Segundo dados do setor, o Brasil encerrou o primeiro semestre de 2026 com 2,936 milhões de toneladas de carne de frango exportadas, volume 12,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O crescimento reforça a importância de manter elevados padrões de sanitários, fundamentais para preservar a competitividade da avicultura brasileira e a confiança dos mercados compradores.

Medidas preventivas

Nesse contexto, o controle da doença depende da atuação integrada de três principais pilares: biosseguridade, vacinação e monitoramento sanitário. Quando aplicadas de forma coordenada, essas medidas fortalecem a proteção dos plantéis, permitem uma resposta mais rápida diante de suspeitas clínicas e contribuem para reduzir impactos produtivos e econômicos.

“O maior diferencial no controle da Doença de Newcastle está na prevenção. A vacinação é um dos pilares desse processo, mas precisa estar integrada ao monitoramento sanitário, ao diagnóstico precoce e a protocolos consistentes de biosseguridade. É essa combinação que fortalece a proteção dos plantéis e contribui para a sustentabilidade da produção avícola”, explica o médico-veterinário, Antônio Neto.

Foto: ehrecke-Pixabay

Além dos programas vacinais, o monitoramento sanitário tem papel decisivo na identificação precoce de possíveis alterações no status de saúde dos plantéis. A vigilância epidemiológica e o diagnóstico laboratorial permitem que medidas de contenção sejam adotadas rapidamente, reduzindo o risco de disseminação da doença e minimizando impactos para a produção.

Outro componente indispensável é a biosseguridade. O controle do acesso de pessoas e veículos nas granjas, higienização de instalações e equipamentos, manejo adequado das aves e a capacitação das equipes são práticas que evitam a entrada e a circulação de agentes infecciosos nas propriedades, complementando a eficiência dos programas de prevenção.

“Os desafios da avicultura moderna exigem uma atuação cada vez mais integrada entre produtores, médicos-veterinários e indústria. O compartilhamento de conhecimento e a atualização constante das estratégias sanitárias são fundamentais para fortalecer a saúde dos plantéis e a sustentabilidade da produção”, finaliza Neto.

Fonte:  Zoetis
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