Interessado em qualidade, sertanejo, que adquiriu uma vaca Nelore por R$ 2 milhões no início do ano, fala sobre suas raízes no campo, criação de gado e outros projetos
“O campo ensina mais do que muita escola por aí”. Essa afirmação é do cantor sertanejo e empresário Eduardo Costa, que, recentemente, protagonizou mais um movimento de peso no agronegócio ao adquirir uma vaca da raça Nelore avaliada em R$2 milhões, em sociedade com o influenciador Gustavo Tubarão.
O investimento reforça seu posicionamento como um dos nomes mais ativos na pecuária de elite e consolida o crescimento do projeto Nelore JG, iniciativa construída com foco em excelência genética, visão estratégica e parcerias de longo prazo. Em entrevista exclusiva para a Revista Animal Business Brasil, o cantor fala um pouco mais sobre sua relação com as coisas do campo, suas raízes no agro e como essas características influenciaram em sua carreira.
Animal Business Brasil: Qual sua relação inicial com as coisas do agro?
Eduardo Costa: Olha, isso vem desde muito cedo. Eu sou do interior, né? Cresci vendo isso, vivendo isso. Não é uma coisa que eu aprendi depois que fiquei conhecido, não. Sempre fez parte da minha vida. Eu já passei dificuldade, já vi de perto como é a vida no campo, então eu tenho um respeito muito grande por isso. E, vou te falar: o campo ensina muito mais do que muita escola por aí. Ensina responsabilidade, ensina a ter paciência, ensina que nem tudo é no seu tempo. Acho que muito do que eu sou hoje, como homem mesmo, veio dessa vivência.

foto: jbzootec-Pixabay
Animal Business Brasil: Fale um pouco sobre como você entrou na criação de gado.
Eduardo Costa: Eu entrei porque gosto mesmo. Não foi por modinha, nem por investimento, pensando só em dinheiro. Eu sempre fui apaixonado por bicho, por fazenda. Daí, quando tive condição, eu fui lá e fiz. Comecei devagar, aprendendo, errando também, porque ninguém nasce sabendo. No começo, eu confesso que achei que seria mais simples, mas o agro não perdoa. Se você não se dedicar, você perde dinheiro e aprende do jeito mais duro. Então eu fui atrás de gente que entende, fui estudar, visitar fazenda, ouvir quem sabe. Hoje, eu posso dizer que não sou só um cara que investe, eu participo de todo processo.
Animal Business Brasil: Atualmente, quantos animais do criatório são de sua responsabilidade?
Eduardo Costa: Hoje eu tenho um número considerável, graças a Deus. Não gosto muito de ficar falando número exato, porque isso muda o tempo todo, né? A gente compra, vende, faz manejo, entre outras coisas. Mas é um projeto grande, bem estruturado. E não é só quantidade, não. Eu me preocupo muito com qualidade, genética, manejo, bem-estar. Às vezes o pessoal acha que é só ter boi no pasto, mas não é assim. Tem muito trabalho por trás para fazer direito e bem feito.

Animal Business Brasil: Por que o Nelore?
Eduardo Costa: Porque é o melhor, na minha opinião. O Nelore é forte, aguenta o clima do Brasil, é resistente, não à toa, domina a pecuária no país. Mas, além disso, eu gosto do desafio de trabalhar genética. O Nelore te dá essa possibilidade de evoluir, de buscar um animal cada vez melhor. Eu sou um cara competitivo, então isso me chama atenção também.
Animal Business Brasil: A princípio, o investimento é apenas no Nelore ou já tem outros projetos?
Eduardo Costa: Hoje o foco maior é o Nelore, mas eu não sou um cara que gosta de ficar parado, não. Sempre penso em crescer, em fazer coisas novas. Tenho vontade de expandir, talvez entrar em outras áreas dentro do agro, porque esse setor é muito amplo. Desde melhoramento genético até outras frentes, mas tudo no tempo certo. Eu não faço nada de qualquer jeito.
Animal Business Brasil: Na sua opinião, qual a relação entre o agro e o sertanejo?
Eduardo Costa: Não existe sertanejo sem o campo, sem a raiz. Hoje pode estar mais moderno, mais urbano, mas a essência é essa. Eu mesmo canto o que eu vivi, o que eu vi. Quando eu falo de saudade, de amor, de sofrimento, isso vem muito dessa vida do interior.
Animal Business Brasil: Como você concilia a carreira profissional e a paixão por animais?
Eduardo Costa: Não é fácil, não. Minha vida é uma correria danada, estrada, show, compromisso, mas quando a gente gosta, a gente dá um jeito. Eu tenho pessoas de confiança cuidando, mas eu faço questão de estar presente, de acompanhar de perto, de meter a mão quando dá. Isso tudo porque, para mim, não é só negócio. Se fosse só dinheiro, eu colocava em outra coisa. Isso aqui me acalma, me traz paz. É um lado da minha vida que o palco não dá.
Animal Business Brasil: O que mais você gostaria de falar para os leitores da Animal Business Brasil?
Eduardo Costa: O Brasil é o que é por causa disso aqui, do agro e tudo o que ele representa. Às vezes o pessoal fala sem conhecer, critica sem saber. Eu estou dentro, eu vejo de perto, e sei o quanto tem gente séria trabalhando, acordando cedo, enfrentando dificuldade. Não é vida fácil, não. E eu tenho orgulho de fazer parte disso. De verdade. Porque isso aqui não é só negócio, é raiz, é história, é quem a gente é.
