Por Luiz Octavio Pires Leal, Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária; Membro da Diretoria Técnica da SNA; Jornalista registrado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
Inicialmente, é importante lembrar que não existe “o câncer” e sim uma quantidade de algumas dezenas de tipos, com agressividade diferente, até mesmo alguns tipos de câncer de pele, que não produzem metástases e que podem ou não ter indicação cirúrgica.
As alternativas para o tratamento – aplicáveis separadamente ou em conjunto, são várias: cirurgia total ou parcial do órgão comprometido; quimioterapia, de diversos tipos e duração; irradiação; imunoterapia, além de uma combinação desses recursos.
A luta contra o câncer é muito antiga.
Antiguidade
- Registros do câncer aparecem em papiros do Imhotep e de outros médicos do Egito por volta de 3000 a.C.. Nesses documentos são descritos tumores de mama para os quais não havia tratamento eficaz.
- No século V a.C., o médico grego Hipócrates utilizou os termos karkinos (caranguejo) e karkinoma para descrever tumores malignos. Daí surgiu a palavra “câncer”.
Idade Média e Renascimento
- O conhecimento sobre a doença avançou lentamente.
- As cirurgias eram limitadas pela falta de anestesia e de controle de infecções, tornando o tratamento muito difícil.
Século XIX
A luta moderna contra o câncer começou efetivamente no século XIX, graças a:
- Desenvolvimento da anestesia.
- Avanços da cirurgia.
- Descoberta da teoria dos germes por Louis Pasteur.
- Técnicas antissépticas introduzidas por Joseph Lister.
Esses avanços permitiram a remoção cirúrgica de tumores com maior segurança.
Século XX
Foi o período de maior progresso:
- Descoberta dos raios X por Wilhelm Conrad Röntgen em 1895, levando à radioterapia.
- Desenvolvimento da quimioterapia na década de 1940.
- Criação de programas de rastreamento e prevenção.
- Avanços da genética do câncer e da biologia molecular.
Século XXI
Atualmente, a luta contra o câncer envolve:
- Terapias-alvo.
- Imunoterapia.
- Diagnóstico molecular.
- Medicina personalizada baseada no perfil genético do tumor
Foi o período de maior progresso:
- Descoberta dos raios X por Wilhelm Conrad Röntgen em 1895, levando à radioterapia.
- Desenvolvimento da quimioterapia na década de 1940.
- Criação de programas de rastreamento e prevenção.
- Avanços da genética do câncer e da biologia molecular.
A contribuição da Medicina veterinária
A medicina veterinária tem contribuído de forma significativa para o combate ao câncer, beneficiando tanto os animais quanto os seres humanos. Algumas das principais contribuições incluem:
- Estudos comparativos do câncer
Cães e gatos desenvolvem muitos tipos de câncer naturalmente, de forma semelhante aos seres humanos. O estudo dessas doenças em animais ajuda os pesquisadores a compreender melhor a origem, a progressão e o tratamento dos tumores humanos. Essa área é conhecida como oncologia comparativa.
- Desenvolvimento de novos tratamentos
Animais com câncer participam, sob rigorosos critérios éticos, de estudos clínicos que avaliam novas terapias, como:
- Imunoterapia;
- Terapias-alvo;
- Novos medicamentos quimioterápicos;
- Técnicas avançadas de radioterapia.
Os resultados podem acelerar o desenvolvimento de tratamentos para pacientes humanos e veterinários.
- Avanços em cirurgia oncológica
Veterinários contribuíram para o aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas de remoção de tumores, reconstrução de tecidos e preservação da qualidade de vida dos pacientes.
- Pesquisa genética
O estudo do genoma de cães e gatos permitiu identificar genes associados ao câncer. Algumas raças caninas apresentam predisposição genética para determinados tumores, servindo como modelos importantes para pesquisas sobre câncer hereditário em humanos.
- Diagnóstico precoce
A medicina veterinária ajudou a desenvolver e aperfeiçoar métodos diagnósticos, incluindo:
- Citologia;
- Biópsias;
- Exames de imagem avançados;
- Marcadores moleculares e genéticos.
- Imunologia do câncer
Pesquisas veterinárias têm contribuído para o entendimento de como o sistema imunológico reconhece e combate células tumorais, conhecimento fundamental para o desenvolvimento de vacinas e imunoterapias anticâncer.
- Saúde ambiental e prevenção
Veterinários também estudam fatores ambientais que podem causar câncer em animais e humanos, como exposição a pesticidas, poluentes industriais, fumaça de cigarro e radiação.
Exemplos de tumores estudados em cães
- Osteossarcoma (câncer ósseo);
- Linfoma;
- Melanoma;
- Tumores mamários;
- Hemangiossarcoma.
Essas doenças apresentam muitas semelhanças biológicas com tumores humanos, tornando os cães importantes modelos de pesquisa.
Em resumo, a medicina veterinária contribui para o combate ao câncer por meio da pesquisa básica, do desenvolvimento de tratamentos inovadores, do diagnóstico precoce e da oncologia comparativa, fortalecendo a abordagem integrada conhecida como Uma Só Saúde (One Health), que reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental.
