Por Luiz Octavio Pires Leal – Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária.
Depois de ouvir muitas histórias sobre a ferocidade incontrolável da raça de cães pit bull, com sua forte mordida, da qual nunca desistem, cheguei à conclusão de que há prevalência de muitos mal entendidos e dúvidas sobre esse assunto. Mas que eles podem atacar, principalmente as pessoas que correm, até a morte, é uma verdade da qual tive notícia perto de onde moro, em Ipanema, no Rio de Janeiro.
Essa é a história de um pit bull que escapou de onde estava sendo mantido e correu atrás de uma jovem atacando-a, até a morte. Um ataque gratuito, sem que ele estivesse sendo ameaçado por uma pessoa que nem era sua conhecida.
Vejamos o que diz a IA
A verdade sobre os pit bulls é mais complexa do que a reputação popular sugere. Não existe uma resposta simples como “são naturalmente perigosos” ou “são completamente inofensivos”.
Alguns pontos importantes:
- “Pit bull” não é uma única raça. O termo costuma englobar raças e tipos como o American Pit Bull Terrier, American Staffordshire Terrier, Staffordshire Bull Terrier e cães mestiços com características semelhantes.
- Foram originalmente selecionados para características de força e tenacidade. Historicamente, alguns desses cães foram criados para atividades como lutas entre cães, o que favoreceu persistência e resistência. Isso faz parte da história da raça, embora não determine o comportamento de cada indivíduo.
- Temperamento varia de cão para cão. Genética, socialização, treinamento, saúde e manejo têm grande influência. Muitos pit bulls vivem como animais de estimação equilibrados e sociáveis.
- São cães fortes. Independentemente do temperamento, possuem musculatura e mordida potentes. Quando ocorre um ataque, o potencial de causar lesões graves pode ser maior do que em cães menores.
- Agressividade não depende apenas da raça. Estudos mostram que o risco de mordidas envolve múltiplos fatores, como criação irresponsável, falta de socialização, treinamento inadequado, negligência, dor ou doença e supervisão insuficiente.
- Nem todos os pit bulls são adequados para qualquer tutor. Eles costumam precisar de exercício regular, treinamento baseado em reforço positivo, socialização desde cedo e um tutor preparado para controlar um cão forte.
Também vale mencionar que há controvérsias sobre estatísticas de ataques envolvendo pit bulls. Em muitos casos:
- a identificação da raça é feita visualmente e pode estar errada;
- diferentes estudos chegam a conclusões distintas dependendo da metodologia utilizada;
- fatores como porte, força e condições de criação podem influenciar os resultados.
Em resumo, a evidência disponível indica que:
- Não é correto afirmar que todo pit bull é agressivo ou inevitavelmente perigoso.
- Também não é correto afirmar que a raça não tem nenhuma característica comportamental herdada.
- A posse responsável, a seleção genética cuidadosa, o treinamento e o ambiente são fundamentais para reduzir riscos, especialmente em cães de grande porte e alta força física.
