Por Luiz Octavio Pires Leal – Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária

 

A domesticação dos animais para produção de alimentos foi uma grande conquista da humanidade. Inicialmente, os principais foram os bovinos, pela qualidade dos seus produtos (carne e leite), docilidade, tamanho, e principalmente por se alimentarem de plantas, de várias espécies, existentes por toda parte – as pastagens.

 

Bastava soltar vacas e touros  no campo,e quando necessário, capturar e abater alguns. Um bônus importante era o leite ,e o couro, para vestimentas e abrigos. E os ossos serviam para preparar instrumentos e armas.

 

Na Europa

 

Durante milênios, o maior uso dos bovinos foi na Europa, como atestam diversos documentos e pinturas rupestres das cavernas de Lascaux, descobertas na França, em 1940, e de Altamira, na Espanha, em meados do século XIX

 

Extrativismo

 

Noutras regiões da Terra onde a influência européia não chegava, a proteína de carne era obtida, predominantemente, por extrativismo, de animais terrestres (cervídeos, javalis, gansos, etc.) ou aquáticos (peixes).

 

Pecus e agris

 

Durante muitos séculos, os bovinos eram praticamente os únicos fornecedores de proteína de origem animal da Europa.

Os romanos os chamavam de pecus, daí a expressão pecuária. Com o tempo, as palavras pecus e agri, significando vegetais cultivados (agricultura), resultaram em agropecuária, esta, por sua vez, englobando vegetais e animais produtores de alimentos.

 

Só mais recentemente, na história humana, os suínos e as aves, além dos caprinos e dos ovinos, foram criados para a produção de alimentos.

 

Mas a permanência dos bois como produtores de alimentos nobres, teve seu preço (no duplo sentido da palavra). Não basta mais soltar os animais no pasto natural, o chamado “boi clorofilado”. Uma série de medidas são necessárias para que a produção alcance o consumidor em ótimas condições sanitárias e de preço.

A explosão criatória brasileira de bovinos, vem acontecendo, principalmente, nos estados da região Centro-Oeste.

 

Conversão alimentar

 

Quanto de comida é necessário para produzir um quilo de peso vivo de animal, é o que se chama “taxa de conversão”. Quanto maior for essa taxa, (menos ração/quilo vivo de animal) maior é a produtividade, e o lucro do produtor.

O problema é que entre os animais produtores de alimentos, os bovinos são os que têm uma menor (pior) taxa de conversão alimentar. Essa é uma das justificativas dessa carne ser mais cara do que a de frango e a de porco, estimulando o consumidor a preferir essas duas.

 

Até o início do século XX, o consumo de carne bovina era preponderante em todo o mundo. As faculdades de veterinária resumiam o assunto numa disciplina chamada Inspeção de Carnes, englobando com a palavra outros produtos, como a carne de frango, e a suína, ministrada por médicos porque ainda não existiam veterinários.

Consumo de peixes

 

A produção em larga escala de peixes, para consumo, é utilizada há milênios, segundo a História nos conta.

 

O Brasil tem o privilégio de uma costa atlântica de milhares de quilômetros. e tem a maior coleção de água doce do mundo, nos seus imensos rios e lagos. A conclusão lógica é que o País deveria ter uma boa colocação em nível mundial, para o aproveitamento dos peixes nessa imensidão de água doce e salgada. Mas não é isso o que acontece na proporção devida. Nosso país ocupa um dos últimos lugares em relação à produção de peixes, o que explica eles serem caros.  Mas, essa situação está sendo rapidamente modificada, ao menos na produção de peixes em água doce.´nas “fazendas de peixe”

 

O grande destaque

 

O grande destaque brasileiro relativo à produção de proteínas de alto valor biológico é o que resulta da “Avicultura Industrial”, que é a produção em larga escala de frangos de corte.

 

A partir da década de 1950, as pesquisas em sanidade, genética, nutrição e manejo, conseguiram um enorme progresso nessa atividade. Atualmente, em tempo recorde, com uma conversão inimaginável, há poucos anos, obtém-se frangos com dois quilos e com conformação ideal para o consumo, com cerca de 40 dias de idade.

Atualmente (2026) somos os maiores consumidores de carne de frango e disputamos com os Estados Unidos, a posição de maiores produtores e exportadores.

Na produção de ovos, o progresso foi semelhante. Na natureza, uma galinha produz cerca de 160 ovos, por ano. Nas modernas criações industriais, consegue-se mais de 200 ovos, por ano.

 

E a criação de suínos, está seguindo o mesmo caminho.

 

REF   Biografia (2021) do Professor Pesquisador, veterinário, Milton Thiago de Mello, de autoria do redator deste artigo.

 

Imagem gerada por IA