Por Luiz Octavio Pires Leal

 

A homeopatia é uma criação de Christian Friederich Samuel Hahnemann, nascido em 10 de abril de 1765, em Meissen, na Saxonia, a leste da atual Alemanha, quando o rei era Frederico II da Prússia. Ele era filho de um pintor de porcelana. Poliglota e tradutor, segundo a história, falava e escrevia em alemão, inglês, francês, espanhol, latim, árabe, grego, hebreu e caldeu.

Como não tinha dinheiro para estudar na famosa Universidade de Viena, na Áustria, formou-se em medicina, em 1779, pela Faculdade de Herlanger.

Frustrado pelas limitações da medicina da época, voltou a estudar e a trabalhar com produtos químicos, e a fazer traduções.

Em 1790, traduzindo uma obra de Cullen, tomou conhecimento das propriedades de uma planta –Chinchona officinalis – a quinina, que os nativos do Peru utilizavam para tratar a malária.

Embora Cullen tenha expressado seu pensamento de que a eficiência da planta se dava através do fortalecimento do estômago, com uma substância contrária à doença, Hahnemann não se convenceu, mas observou que o uso abusivo da quinina produzia sintomas semelhantes àqueles que se apresentavam na doença natural.

Os princípios da homeopatia

Foi partindo dessa idéia, somada ao seu vasto conhecimento acumulado, que Hahnemann, gradativamente, foi estabelecendo os princípios da homeopatia.

No Brasil, ela foi introduzida por um seu discípulo francês, Benoit-Jules Mure, em 1840, com o apoio de Pedro II.

A partir de 1984, a homeopatia veterinária recebeu um importante incremento, no Brasil.

Contribuição da veterinária

A contribuição da Medicina Veterinária para o desenvolvimento da homeopatia foi importante principalmente em três aspectos: a experimentação clínica, a ampliação das indicações terapêuticas e a avaliação dos efeitos dos tratamentos em animais.

  1. Aplicação em animais

Poucos anos após a formulação da homeopatia por Samuel Hahnemann no final do século XVIII, médicos veterinários passaram a utilizar seus princípios em cavalos, bovinos, cães e outros animais. Isso permitiu observar respostas clínicas em espécies incapazes de relatar sintomas subjetivos, o que foi considerado por seus defensores uma forma de reduzir a influência de fatores psicológicos.

  1. Desenvolvimento da Homeopatia Veterinária

Durante o século XIX, especialmente na Alemanha, na França e no Reino Unido, surgiram veterinários dedicados à homeopatia, que adaptaram repertórios e métodos de prescrição para diferentes espécies animais. Isso levou à criação de manuais específicos de homeopatia veterinária.

  1. Uso em rebanhos

A veterinária contribuiu para a expansão da homeopatia na pecuária, especialmente em bovinos, aves e suínos. Em alguns países, produtos homeopáticos passaram a ser utilizados como complemento no manejo sanitário de rebanhos, visando reduzir estresse, melhorar adaptação ambiental ou auxiliar em determinadas enfermidades.

  1. Pesquisa e avaliação científica

A Medicina Veterinária também participou da avaliação científica da homeopatia. Estudos controlados em animais foram realizados para investigar sua eficácia em diversas doenças. Os resultados, entretanto, permanecem controversos.

Situação científica atual

A maior parte das organizações científicas e médicas considera que não existem evidências robustas de que os preparados homeopáticos apresentem eficácia superior ao placebo ou aos efeitos de manejo quando avaliados em estudos rigorosos. Na medicina veterinária, a discussão é semelhante: alguns profissionais relatam benefícios clínicos, mas revisões sistemáticas e análises científicas de alta qualidade não demonstraram eficácia consistente além do que seria esperado por outros fatores.

Assim, a principal contribuição da veterinária para a história da homeopatia foi sua aplicação prática em animais, o desenvolvimento da homeopatia veterinária como especialidade e a realização de estudos destinados a avaliar cientificamente seus resultados.

REF “História da Medicina Veterinária” -2009 – Luiz Octavio Pires Leal
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