Por Luiz Octavio Pires Leal – Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária
Provavelmente, o tétano é uma das mais antigas doenças introduzidas no Brasil, como consequência das primeiras importações de equídeos de Portugal.
Em 1908, Lutz citava que a zoonose era observada esporadicamente entre equídeos. Carini dizia que, segundo informações de fazendeiros, a doença era bastante frequente. Ele explicava que tal fato não deveria causar admiração em virtude do mau hábito dos fazendeiros em cobrir as feridas dos animais com fezes ou terra.
Muniz e Aragão publicaram notas sobre a ocorrência de tétano em várias espécies animais, e apresentaram, nesse mesmo trabalho, foto de um burro doente.
Trata-se de doença que ocorre em todo território nacional, principalmente após atos cirúrgicos e ferimentos.
Papel da veterinária
A medicina veterinária teve — e ainda tem — papel importante na pesquisa do Tétano, tanto para animais quanto para humanos. Algumas contribuições principais:
- Desenvolvimento de vacinas e soros antitetânicos
Os primeiros estudos sobre imunização contra o tétano usaram modelos animais (cavalos, coelhos e cobaias). Os cavalos foram fundamentais para produzir o soro antitetânico, extraindo anticorpos após imunização.
- Estudos sobre a bactéria causadora
A veterinária ajudou a compreender o comportamento do Clostridium tetani no solo, em feridas e no trato digestivo de animais, ampliando o conhecimento epidemiológico.
- Diagnóstico clínico e diferencial
Muitos casos de tétano em equinos, bovinos, ovinos e cães serviram para aperfeiçoar critérios diagnósticos, especialmente em sinais como rigidez muscular e espasmos.
- Pesquisa em terapias e manejo
Tratamentos com antitoxina, antibióticos e suporte intensivo foram testados e refinados em medicina veterinária, contribuindo para protocolos usados também em humanos.
- Vigilância e prevenção em produção animal
A veterinária implementa medidas preventivas em rebanhos, como vacinação, higiene em castrações, partos e manejo de feridas, reduzindo perdas econômicas e risco zoonótico indireto.
Resumo:
A veterinária foi essencial para transformar o tétano de uma doença altamente letal em uma enfermidade amplamente controlável por vacinação.
