Por Luiz Octavio Pires Leal – Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária

 

No princípio de 1895, o médico João José Duarte Guimarães, em Minas Gerais, foi um dos que primeiro estudaram a febre aftosa no Brasil. O outro médico, João Batista de Lacerda pesquisou essa doença, também em Minas Gerais.

Doença antiga

A febre aftosa é oriunda da Ásia, tendo aparecido na Rússia, em 1887, estendendo-se, em seguida, para toda a Europa.

Trata-se de uma doença que tem sido extremamente mortífera, em determinados anos e locais, com grande capacidade de expansão;

Contribuição da veterinária

A medicina veterinária teve papel central na pesquisa e no controle da Febre aftosa, uma das enfermidades mais importantes da pecuária mundial. Sua contribuição pode ser resumida em vários campos:

1. Diagnóstico e identificação do vírus

Veterinários ajudaram a desenvolver técnicas para reconhecer rapidamente a doença, como:

  • exames clínicos (vesículas na boca, língua, patas e úbere);
  • testes sorológicos;
  • métodos moleculares, como PCR.

Essas ferramentas permitiram detectar surtos mais cedo e limitar a disseminação.

2. Epidemiologia

A veterinária estuda:

  • formas de transmissão;
  • espécies susceptíveis (bovinos, suínos, ovinos, caprinos);
  • fatores de risco em rebanhos.

Esses estudos foram fundamentais para mapear rotas de propagação e criar estratégias de vigilância.

3. Desenvolvimento de vacinas

Pesquisadores veterinários contribuíram para:

  • isolamento de cepas virais;
  • produção de vacinas mais seguras e eficazes;
  • avaliação da imunidade coletiva nos rebanhos.

No Brasil, a vacinação foi por décadas a principal ferramenta de controle.

4. Programas de vigilância sanitária

Veterinários atuam em:

  • inspeção de propriedades;
  • monitoramento de trânsito animal;
  • investigação de suspeitas;
  • certificação sanitária.

Isso sustenta programas nacionais de erradicação.

5. Pesquisa em biossegurança

A medicina veterinária desenvolveu protocolos para:

  • quarentena;
  • desinfecção;
  • abate sanitário em focos;
  • controle de fronteiras.

Essas medidas reduzem perdas econômicas e protegem o comércio internacional.

6. Saúde pública e economia

Embora a febre aftosa raramente afete humanos, veterinários demonstraram seu enorme impacto econômico: embargo de carnes, queda de produtividade e custos sanitários.

No caso brasileiro, instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Embrapa contam com veterinários na linha de frente da pesquisa e vigilância.

Em resumo:

Sem a medicina veterinária, o avanço científico no diagnóstico, prevenção e erradicação da febre aftosa não teria sido possível.

Atualmente (2026), a febre aftosa está controlada no Brasil, sem a necessidade de vacinação

 

Ref.:  “História da Medicina Veterinária” – 2009 – Luiz Octavio Pires Leal