Ao mesmo tempo, cenário eleva responsabilidade dos profissionais do segmento
A medicina veterinária vive uma grande transformação no Brasil. A expansão da população de animais de companhia e a mudança no perfil dos tutores, cada vez mais atentos e exigentes, têm alterado a forma como os serviços são prestados e como os profissionais estruturam sua carreira.
Clínicas que antes trabalhavam com procedimentos mais básicos, hoje incorporam diagnósticos por imagem, terapias avançadas e especialidades que exigem conhecimento técnico aprofundado. Esse movimento amplia as oportunidades, mas também eleva as responsabilidades da prática veterinária.
O que mais se destaca nesse cenário é a velocidade da especialização. O Radar Vet 2025 mostra que 66% dos médicos-veterinários já concluíram ou estão cursando pós-graduação. A formação adicional deixou de ser uma opção e passou a ser parte da trajetória natural de muitos profissionais.

“Isso ocorre porque o mercado demanda mais preparo, mais precisão e mais capacidade de lidar com casos complexos, e essa expectativa vem diretamente dos tutores, que pesquisam, comparam e chegam às clínicas buscando atendimento qualificado”, destaca a diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), Gabriela Mura.
Outra mudança importante observada pela especialista é a renovação geracional. Veterinários com até 29 anos representam 43% dos profissionais que realizam cirurgias especializadas, 43% dos que conduzem exames diagnósticos e 46% dos que atuam em internação. Isso mostra que os profissionais mais jovens não esperam acumular anos de experiência para se especializar; eles entram no mercado sabendo que aprofundar a formação é parte indissociável da carreira.
“Além disso, esse cenário também se reflete na remuneração. Os veterinários autônomos registram renda média próxima a 4 salários mínimos. Entre os que atuam com vínculo empregatício, a média chega a 5 salários mínimos. Proprietários de clínicas e hospitais veterinários, que acumulam gestão e atendimento, alcançam cerca de 6 salários mínimos”, relata Gabriela.
Outras características do novo mercado
Segundo a especialista, embora a especialidade escolhida influencie esses valores, ela não é o único determinante. Organização da rotina, clareza na comunicação com tutores e capacidade de gerir a operação têm impacto direto na percepção de valor e na evolução financeira.
“As redes sociais, hoje presentes na rotina de veterinários de todas as regiões, ampliaram o alcance do trabalho e se tornaram ferramenta de relacionamento com os tutores. O desafio está em equilibrar a visibilidade com responsabilidade, garantindo que informações técnicas sejam transmitidas de forma clara, correta e compatível com a conduta profissional esperada”, alerta Gabriela.

Diante desse cenário, o que os dados e a prática mostram é um setor que cresce, mas que também se sofisticou. O aumento da demanda significa mais atendimentos, mas também mais exigência por diagnósticos precisos, manejo adequado e comunicação transparente. A especialização atende a esse movimento, mas precisa caminhar ao lado de competências complementares que se tornaram essenciais para o exercício da profissão.
“Tudo indica que a medicina veterinária caminha para um modelo em que técnica, gestão e comunicação formam os pilares do desenvolvimento profissional. A formação contínua fortalece a carreira individual, melhora a entrega ao tutor e contribui para um setor mais preparado para acompanhar a evolução da saúde animal no país”, conclui a especialista.
