Por Luiz Octavio Pires Leal

Dúvida recorrente entre os colegas que não são do ramo, e principalmente entre os leigos, é sobre a natureza dos vírus. Eles não têm vida própria, nem DNA? Eles não têm capacidade própria de reprodução? Eles não podem ser mortos (porque não têm vida) e apenas destruídos?

Se não têm DNA, podem ser destruídos, mas não mortos. Eles só poderão ser mortos quando absorvem o DNA de uma bactéria

Nem todos os vírus têm DNA. Essa é uma questão importante em virologia.

Os vírus são constituídos, essencialmente, por:

– material genético, que pode ser DNA ou RNA;

– uma cápsula de proteínas chamada capsídeo;

– em alguns casos, um envelope lipídico externo.

Portanto:

Existem vírus com DNA, como o Varicela (causada pelo vírus varicela-zóster), o Herpes simples e os adenovírus.

Existem vírus com RNA, como o vírus da COVID-19, o vírus da gripe e o da poliomielite.

Os vírus podem ser “mortos”?

Do ponto de vista biológico, há uma discussão interessante. Como os vírus não possuem metabolismo próprio, não crescem nem se reproduzem sozinhos, muitos cientistas preferem dizer que eles são inativados ou destruídos, e não “mortos”, porque não atendem plenamente aos critérios tradicionais de seres vivos.

Assim, desinfetantes, calor, radiação ultravioleta e certos produtos químicos podem destruir a estrutura viral ou inativar o vírus, impedindo que ele infecte células.

E quanto ao DNA de bactérias?

A afirmação de que “os vírus só podem ser mortos quando absorvem o DNA de uma bactéria” não está correta.

Alguns vírus que infectam bactérias, chamados bacteriófagos, podem incorporar fragmentos do DNA bacteriano durante seu ciclo replicativo, fenômeno conhecido como transdução. Contudo:

  • isso ocorre apenas em certos bacteriófagos;
  • não significa que o vírus passe a ser um organismo vivo completo;
  • não é condição para que ele seja destruído ou inativado.

Em resumo

Os vírus podem ter DNA ou RNA.

Eles não precisam absorver DNA bacteriano para serem destruídos.

Como sua condição de “seres vivos” é debatida, muitos especialistas preferem dizer que os vírus são inativados, e não propriamente “mortos”. Entretanto, em linguagem cotidiana, dizer que um vírus foi “morto” costuma ser entendido como sinônimo de que ele perdeu a capacidade de infectar.

Imagem: SARS-CoV-2. Wikimedia commons