Por Luiz Octavio Pires Leal – Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária.

A humanidade passou por grandes transformações, a partir de fatos e interesses que envolvem todas as nações.

Na Revolução Industrial, a Inglaterra destacou-se com o uso de

máquinas movidas a carvão mineral e madeira obtida nas suas colônias. Depois, os Estados Unidos substituíram a matriz energética, por combustíveis derivados do petróleo.

Atualmente, com o grande aumento da população mundial, a maior procura é por alimentos – “a próxima revolução” – e é nesse contexto que surge uma grande oportunidade para os veterinários e para os zootecnistas.

Moeda do futuro

 

O Brasil tem um grande potencial de produção de alimentos: três de origem vegetal: soja, milho

e café, e três de origem animal: carne bovina, suína e de aves.

A moeda do futuro será a comida, e toda produção de origem animal necessita de veterinários preparados.

 

Papel dos veterinários

 

Mas, qual o papel dos veterinários? Na criação- em cooperação com os zootecnista –  e na inspeção dos produtos dos animais de criação. E, a cada dia, as demandas crescem, incluindo exigências específicas, como as sanitárias e as de rastreabilidade.

O Brasil não tem a quantidade ideal de frigoríficos para atender a essa demanda que só faz cescer, e também não dispõe de veterinários bem preparados para atendê-la.

Por outro lado, estamos produzindo proteínas de alto valor biológico para consumo interno e para grande parte do mundo, segundo a demanda atual. O grande desafio será a  nossa colaboração para o atendimento a um mundo que, a partir de uma população de oito bilhões de habitantes, vem crescendo numa proporção alarmante.

Cabe aos zootecnistas garantir a produção dos animais de consumo, e aos veterinários a sua saúde, conquistando parâmetros mais elevados de produtividade, sem interferência prejudicial no meio ambiente.

Esses profissionais são os responsáveis pela disponibilidade dos produtos de origem animal – que são os de maior valor nutritivo -, como as carnes, os ovos, e o leite com seus derivados, garantindo a sua qualidade, saudabilidade e sustentabilidade.

O grande problema

 

O grande problema é a baixa qualidade do ensino da veterinária em grande parte das faculdades particulares – verdadeiro comércio desonesto – autorizadas pelo MEC.

A quantidade desses verdadeiros “caça-níqueis” – já é superior a 600, e continua crescendo, enquanto no resto do mundo ela não passa de 400 faculdades de veterinária.

Cabe ao leitor deduzir a razão desse absurdo. Depois de quatro a cinco anos cursando uma faculdade paga, que não prepara minimamente os formandos para a realidade do mercado de trabalho, os alunos descobrem que foram enganados. Alguns, desesperados se suicidam, aumentando a proporção de suicidas dos veterinários, em comparação com o resto da população.

Crime? Crueldade? Desonestidade? Uma combinação desses adjetivos? Mais uma vez, deixo a conclusão para os leitores.

O que justifica que nem os Conselhos de Veterinária nem as Academias – sem a menor dúvida interessados na moralização do ensino – têm poder para fechar as faculdades de mentira, não sei responder.

 

REF – Biografia do Professor Milton Thiago de Mello (2021) deste autor.

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