Objetivo do evento e manifestações de abertura

A SNA promoveu, na última sexta-feira 15 de maio, o Seminário de Comunicação Social para veterinários. O evento foi concebido e organizado pelo Dr. Luiz Octavio Pires Leal, com apoio do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro, além da Academia Brasileira de Medicina Veterinária e da Academia de Medicina Veterinária do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo foi produzir conteúdo de qualidade para aprimorar aspectos dessa capacidade dos profissionais, com participação de convidados que trouxeram abordagens ricas e diferenciadas.

O presidente Antonio Alvarenga se dirigiu à plateia do seminário, reiterando o compromisso da entidade em se comunicar de forma constante e atualizada com produtores e demais interlocutores do setor agropecuário. Foto: Rafaella Maria da Silva

O presidente da SNA, Antonio Alvarenga, saudou a realização do seminário e enfatizou que a boa comunicação da entidade com o setor agropecuário tem sido um compromisso desde sua fundação, há 129 anos. Ele lembrou que a atualização das plataformas de contato com a cadeia produtiva é fundamental para manter o alcance na divulgação de notícias e atividades, como a versão digital da centenária revista A Lavoura. A Animal Businesseditada pelo próprio Luiz Octavio, migrou igualmente para o formato online, com grande sucesso. O presidente Alvarenga concluiu citando as redes sociais da SNA, que seguem integradas com o conteúdo do site e dos cursos oferecidos no Campus da Penha.

Leonardo Alvarenga, vice-presidente da SNA e CEO do SNASH, Hub de Startups da entidade, também destacou a importância do evento e disse que atualmente a competência técnica dos profissionais de qualquer área precisa se somar à boa divulgação e capacidade de mobilizar a atenção de clientes. Ele traçou um paralelo com o próprio SNASH, onde as Startups participam de dinâmicas competitivas para apresentar suas ideias a investidores.

Palestras de especialistas ilustram desafios atuais da comunicação social

Plateia do seminário assiste à palestra do Dr. Carlos Pires Leal. Foto: Valéria Manhães

O psiquiatra e psicanalista Carlos Pires Leal traçou um panorama das dificuldades que a comunicação em geral enfrenta atualmente. Segundo ele, o excesso de estímulos e informações tornou escassa a atenção das pessoas, prejudicando desde diálogos rotineiros até a assimilação de informações importantes. Em seu entendimento, a comunicação é um vínculo que exige calma e até mesmo certa lentidão, o que é incompatível com a pressa e exaustão crônicas de hoje. “A atenção virou um produto. Escutar alguém por 10 minutos tornou-se uma ato de heroísmo, sem exagero”, resumiu.

O ex-auditor fiscal e veterinário Carlos Alberto Magioli, repercutindo as falas anteriores, afirmou que as dificuldades de comunicação se refletem também na parte técnica da profissão, lembrando que em sua atuação como auditor se deparava constantemente com laudos incorretos e outros documentos com imprecisões ou omissões. Magioli também apontou o alto número de cursos de graduação em medicina veterinária no país, o que prejudica, em sua opinião, a boa formação dos novos profissionais. Ele elogiou a realização do seminário: “Essa iniciativa é muito bem vinda, sobretudo num momento em que os colegas mais jovens encontram dificuldade em se expressar adequadamente, de acordo com a necessidade da profissão”.

Romualdo Ayres, professor da ESPM Rio, abordou a comunicação social sob sua ótica de docente, dizendo que as redes sociais e acesso instantâneo às informações levou instituições de ensino e empresas a adotarem protocolos restritivos quanto ao uso de celulares e computadores. Ele enfatizou que isso trouxe resultados positivos, ainda que muitos desafios permaneçam no sentido de equilibrar os benefícios trazidos pela tecnologia com a mitigação de seus efeitos adversos.

O professor também afirmou que o choque cultural entre gerações é uma dificuldade adicional na construção de um diálogo mais produtivo e trouxe exemplos recentes do ambiente acadêmico, que segundo ele passa por uma fase de contestação das regras de conduta e de tradicionais figuras de autoridade. “A própria relação dos seres humanos com os animais mudou, o que certamente impacta a abordagem que o médico veterinário precisa ter com sua clientela”, concluiu.

Dr. Luiz Octavio e as lições de grandes mestres do ramo

Participantes e convidados do seminário com Dr. Luiz Octavio (ao centro) no final do evento, que contou com ricos debates e cumpriu o objetivo de aprimorar a comunicação social dos profissionais. Foto: Valéria Manhães

Luiz Octavio elogiou a riqueza das manifestações anteriores, que contaram também com ponderações e questionamentos da plateia. Ele iniciou sua fala lembrando que a comunicação social não é uma ciência exata, cuja definição tende a variar conforme a época e a fonte consultada. Também trouxe as origens históricas e desenvolvimento do ramo, ilustrando seus tradicionais arranjos esquemáticos e aplicações na publicidade e propaganda. Segundo Luiz Octavio, as redes sociais simplificaram as formas de comunicação e encurtaram as distâncias até o público – alvo de um serviço ou produto.

Em seguida, destacou dois nomes que, segundo ele, foram os papas da comunicação social moderna: o publicitário britânico David Ogilvy (1911 – 1999) e o filósofo canadense Marshall McLuhan (1911 – 1980). Ambos construíram as bases para que uma mensagem seja transmitida de forma eficaz, sucinta e em sintonia com a percepção do interlocutor. Luiz Octavio apresentou fundamentos e lições do pensamento de Ogilvy e McLuhan, no intuito de aprimorar a capacidade de comunicação dos veterinários. Alguns dos pontos enfatizados foram a capacidade de síntese e o meio escolhido. Ele lembrou duas frases importantes que balizam a boa comunicação:

Não importa o que você escreve, e sim o que o destinatário entende

O meio é a mensagem” – esta, de Marshall McLuhan

Essas máximas ajudam a ilustrar que cada aspecto influencia no entendimento mútuo, desde a forma e o momento de se comunicar até a habilidade de captar a atenção do interlocutor com gestos estratégicos. Na escrita, isso se reflete na escolha de títulos e uso de letra capitular ao iniciar textos. Luiz Octavio entremeou essas reflexões com passagens de sua trajetória profissional, que abrange as funções de veterinário, jornalista e editor, entre outras.

Ao final, foram distribuídos certificados de participação aos presentes, que puderam também confraternizar num coquetel de encerramento. Ao Portal SNA, Luiz Octavio se disse satisfeito com o seminário. Em seu entendimento, o evento alcançou o objetivo proposto de levar conteúdo de qualidade aos profissionais da medicina veterinária que desejam aprimorar sua comunicação social. Segundo ele, isso contribuirá para uma valorização necessária e desejável da classe.

Luiz Octavio Pires Leal é membro emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária – AMBRAVET e Diretor Técnico da SNA
Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb 13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Agradecimento especial: Valéria Manhães