Por Luiz Octavio Pires Leal – Membro Emérito da Academia Brasileira de Medicina Veterinária; Membro da Diretoria Técnica da SNA. Jornalista registrado do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.

 

A medicina veterinária brasileira alcançou em 2010 o seu primeiro centenário – como nos lembra o falecido professor Jadyr Vogel, fundador da Academia Brasileira de Medicina Veterinária e seu presidente.

“Esse primeiro centenário de existência foi marcante e atesta um crescimento embasado em conquistas científicas e tecnológicas marcantes, com excepcional contribuição prestada à saúde pública e ao progresso da Nação.”

O começo, em Lyon

A Medicina Veterinária Científica teve início em Lyon, na França, no dia quatro de agosto de 1761, criada por um advogado chamado Claude Bourgelat, influente na Corte do Rei Luis XV, e amante de cavalos. Usando da sua influência junto ao Rei, conseguiu o édito que criou a primeira escola de veterinária do mundo. Poucos anos depois, em 1766, foi criada a até hoje famosa Escola de Veterinária de Alfort, um exemplo de eficiência para todo o mundo.

A contribuição da veterinária

O Código de Nurenberg (1947) determinou que a experimentação no homem deveria ter como substrato a pesquisa em animais, o que foi consubstanciado pela Declaração de Helsinque, de 1975.

No Brasil, o Decreto Federal No. 24.645, de 1934, já defendia a inviolabilidade do animal e previa infrações, com multa e prisão pelos maus tratos, mas reconhecia a atividade praticada no interesse da ciência.

A medicina veterinária teve um papel fundamental no desenvolvimento da cirurgia moderna. Ao longo da história, muitos avanços cirúrgicos foram aperfeiçoados por meio de estudos em animais, contribuindo para o progresso da medicina humana e veterinária.

Algumas das principais contribuições incluem:

  • Desenvolvimento de técnicas anestésicas: pesquisas em animais ajudaram a aperfeiçoar métodos de anestesia geral e local, tornando as cirurgias mais seguras.
  • Aprimoramento da assepsia e antissepsia: procedimentos para prevenção de infecções foram testados e refinados em hospitais veterinários e centros de pesquisa.
  • Cirurgia cardiovascular: experimentos realizados em cães e outros animais contribuíram para o desenvolvimento de técnicas de sutura vascular, transplantes e cirurgias cardíacas.
  • Ortopedia: o tratamento de fraturas e doenças articulares em animais levou ao aperfeiçoamento de implantes, próteses e métodos de fixação óssea.
  • Microcirurgia e transplantes: diversos estudos experimentais em animais permitiram o avanço das técnicas de transplante de órgãos e reconstrução tecidual.
  • Cirurgia minimamente invasiva: a laparoscopia e a artroscopia foram amplamente desenvolvidas e adaptadas tanto para a medicina humana quanto para a veterinária.

Atualmente, a cirurgia veterinária é uma especialidade altamente desenvolvida, realizando procedimentos complexos em animais domésticos, silvestres e de produção, incluindo neurocirurgias, cirurgias cardíacas, oncológicas e reconstrutivas.

Síntese

Em síntese, a medicina veterinária não apenas desenvolveu técnicas próprias para o tratamento dos animais, mas também contribuiu significativamente para a evolução da cirurgia moderna em benefício da saúde humana e animal.

Foto: Magnific.com