De acordo com Biéler (1898), o crânio de um bovino mocho foi encontrado pela primeira vez por Erik Oscar Arenander, que no mesmo ano propôs uma classificação específica para os bovinos desprovidos de chifres, e então nomeou este ancestral do bovino mocho de Bos akeratus. O referido crânio foi encontrado em um sítio arqueológico denominado “Palafitas Suíças”, um local que, em torno de 6 a 7 mil anos atrás, na Pré História, era pantanoso e habitado por pequenos grupos de pessoas que viviam em casas sobre palafitas, e está situado próximo aos lagos, nos Alpes Suíços.

Esse autor relatou que raramente eram encontradas ossadas sem chifres, e que estas seriam mais antigas do que as ossadas com chifres curtos, encontradas no mesmo sitio arqueológico.

Algumas ossadas de bovinos que tinham crânios com chifres curtos foram encontrados nessa mesma região nos Alpes, onde o gado era menor, quando comparado a outros achados na Europa, da mesma época. Esse mesmo autor citou vários estudos de outros autores, onde afirmou: “Eles demonstraram o grande poder hereditário dos bois sem chifres”, já considerando, no final do século XVII, a herança dominante do mocho.

Poucas ossadas de bois sem chifres foram encontradas desde o norte da Europa, até próximo às regiões montanhosas do Leste Euroipeu, próximo à Rússia.

Acredita-se que a migração dos bovinos mochos ocorreu nos Alpes Suíços, Franceses e Italianos, em direção à Escandinávia e à Rússia, e que essa migração ocorreu pela influência do homem.

Os bovinos mochos, assim como os com chifres curtos e longos, eram utilizados no Egito antigo.

Documentos que que se referem à V Dinastia, entre 4.500 e 4.400 anos atrás, listam a existência de 5.023 bovinos, sendo que entre eles se encontravam 835 bovinos de chifres longos e 220 mochos.

No Egito, na tumba do Rei Ti e de sua esposa, a rainha Neferhotpes, em Saqquara (2.494 – 2.345 aC) existe grande quantidade de desenhos nas paredes, inclusive alguns de bovinos mochos, da raça de gado egípcio da época.

Nas pinturas dessas tumbas no Egito, o grupo de animais com chifres sempre é mostrado em separado do grupo de bovinos mochos.

Breasted, em 1919, estudando a vida daqueles povos, entendeu que a obtenção do rebanho mocho foi conseguida a partir de longo e persistente trabalho de seleção. Na tumba pertencente à XI Dinastia (2.160 – 2.000 aC) foi encontrado um crânio de bovino mocho. Os estudos referem-se à propagação longamente continuada e fielmente selecionada para manter o grupo dos bovinos mochos no Egito, de acordo com a interpretação dos desenhos de tumbas de Gizeh (2.580 – 2.560 aC) e das pinturas na tumba do Rei Ti, em Saqquara, Egito, ou seja, há 4.500 anos já existia processo de seleção para bovinos mochos, no Egito.

No processo de criação e de seleção dos mochos, entendeu-se que havia o caráter dominante para os mochos, apesar de que, no rebanho em geral, mesmo sendo recessivos, os bovinos com chifres acabavam prevalecendo. O entendimento para isso é que os bovinos mochos estão em larga desvantagem para se proteger, seja intra-espécie, onde o touro mocho não consegue lutar com igualdade com um touro de chifres, seja pelas fêmeas ou pela marcação de território, ou intempéries, quando os animais precisam lutar contra os predadores, pela sobrevivência ou para defender as crias.

 

Reprodução parcial de conteúdo do livro
“ Nelore e outros zebuínos”
de autoria de Fausto Pereira Lima e Maria Lúcia Pereira Lima.