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Antes de começar a gastar o seu dinheiro, é importante você tomar conhecimento do seguinte: existem, no Brasil, mais de 500 faculdades de veterinária.

O mundo todo, tem menos do que essa quantidade. Muitas dessas faculdades ensinam parte do curso à distância, e também há as que dão todas as aulas pelo método EAD (Ensino À Distância). Isso mesmo que você leu: o ensino de todas as matérias do curso, de forma não presencial, sem aulas práticas.

E é bom destacar que essas verdadeiras indústrias não funcionam de forma ilegal, uma vez que são registradas no Ministério da Educação que todos nós sabemos como funciona.

E a grande pergunta é: como e onde conseguir professores realmente habilitados para dar aula nessa quantidade absurda de faculdades?

Fábrica de ilusões

A grande maioria dos formados nessas verdadeiras fábricas de um suposto ensino de uma profissão, essencialmente prática, sai da faculdade sem um mínimo de capacidade de ser bem sucedido no cada vez mais concorrido mercado de trabalho.

E, com a verdadeira enxurrada de pretensos profissionais que essa indústria lança no mercado a cada ano, essa situação só faz se agravar.

Consequências para os conselhos

Para poder exercer legalmente a profissão, os veterinários, assim como os zootecnistas, são obrigados a se inscrever no Conselho da sua região e a pagar uma taxa, que não é pequena. E os empreendimentos que atuam no ramo, também precisam cumprir essa exigência. Neste caso, o valor a ser pago é calculado em função do capital registrado da empresa.

O resultado é que os Conselhos recebem uma substancial quantidade de dinheiro. Para poder atender à sua obrigação legal de fiscalizar o exercício profissional e a enfrentar a gigantesca burocracia exigida pelo Tribunal de Contas da União, precisam, praticamente todos os anos, contratar mais pessoal e aumentar o tamanho da sede, é o “Cachorro correndo atrás do rabo”. A absurda burocracia que os conselhos são obrigados a cumprir, ocupa grande parte do tempo dos funcionários.

O conjunto dos conselhos regionais, com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (entidade rica, que recebe 25% do arrecadado pelos conselhos regionais) forma uma Autarquia Federal, que não tem poder para fechar as faculdades, que, notoriamente, praticam um ensino da pior qualidade.

Uma filosofia errada de ensino

Há anos, criou-se e difundiu-se no Brasil, a ideia de que curso superior é sinônimo de sucesso e prestígio pessoal, iludindo os jovens e criando falsa esperança.

E o que a gente observa, atualmente, são doutores trabalhando como motorista de aplicativo, vendedores ambulantes, auxiliares de escritório, motoqueiros entregadores de encomendas e coisas do gênero.

O valor das profissões de nível médio

A eficiência de um exército não é medida pela sua quantidade de generais. Da mesmo forma, a riqueza de um país não é consequência da sua quantidade de doutores, e sim da quantidade e da qualidade dos seus profissionais de nível médio. No mundo civilizado e rico, é assim que funciona, e um bom exemplo disso é a Alemanha, o país mais bem sucedido da Europa, depois de totalmente destruído em duas guerras mundiais.

Posso citar exemplos, que, conheço. Duas irmãs: a que optou por uma profissão de nível médio, está aposentada com um valor mensal 15 vezes superior do que a outra, com curso superior, vários estágios, e até professora da faculdade onde se formou. Um amigo de infância não quis estudar num nível superior, ao antigo científico, optando por ser bancário num banco oficial. Meses depois de internado no hospital mais caro do Rio de Janeiro, acabou falecendo e deixando a viúva em excelente situação, dona de diversos imóveis. Um amigo, eficientíssimo profissional de produção de imagens digitais, com aplicação em ciência médica, vive há quase 40 anos na Austrália, com mulher, filhos e netos, com trabalho independente e proprietário de uma casa que mandou construir, com os requintes de tecnologia. Um técnico em instalação de sistemas de informática e em manutenção de computadores, tem um ótimo nível de vida. Seu filho, faz manutenção de equipamentos médicos de diagnóstico por imagem, contratado por um fabricante internacional que patrocina uma série de cursos nos Estados Unidos.

Estes são apenas alguns exemplos do meu conhecimento pessoal, o que não significa que todos os profissionais de nível médio sejam mais bem sucedidos dos formados numa faculdade. Mas, curso dito “superior”, aqui nosso país, só faz sentido para aqueles com uma grande vocação e com a possibilidade de especialização, no Brasil ou no exterior.